Resenha – A vida em tons de cinza
por Patricia
em 20/04/15

Nota:

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“A vida em tons de cinza” foi um livro que peguei para ler sem pretensão alguma. Não sabia nada da história, não tinha nenhuma idéia sobre personagens, enredo, cenários, nada. Nem mesmo a autora eu conhecia e também não me recordo como esse livro chegou às minhas prateleiras (o mais provável é que ele tenha sido parte de uma compra monstruosa em um daqueles dias de descontos especiais, ou algo do tipo). O que posso afirmar é que não tem NADA a ver com “50 tons de cinza”.

Ruta Sepetys é filha de lituanos imigrantes da época da 2a Guerra Mundial. Em “A vida em tons de cinza”, ela retorna às suas raízes para contar um pouco do sofrimento desse país tão pequeno que muitas vezes passa despercebido. Durante a Segunda Guerra, o país estava entre a cruz e a espada. Com os avanços nazistas, a Rússia respondeu rápido.  Em 1940, em um tentativa de criar uma barreira entre Hitler e a Rússia, a União Soviética decidiu expandir seu território invadindo diversos países próximos. Logo, os lituanos aprenderiam que entre nazistas e soviéticos, não havia muita diferença. Um terço da população dos Bálticos foi exterminada pelos soviéticos na versão de Stálin do Holocausto.

A família Vilkas vivia confortavelmente e Lina, de 15 anos, sonhava em ser artista. Com um talento reconhecido para a pintura e desenho, Lina havia sido convidada para ir para a capital estudar em uma das melhores escolas de artes do país. Porém, uma bela noite, a polícia soviética invade sua casa e a coloca junto com seu irmão de 10 anos e sua mãe, em um trem que vai não se sabe para onde.

O destino final seria um gulag (uma versão soviética dos campos de concentração nazistas) na Sibéria. Ali, vivendo com outras famílias, os lituanos aguentam todo tipo de humilhação e maus tratos. Os soviéticos pedem que assinem cartas assumindo a culpa de diversos delitos a fim de justificarem as prisões. Os maus tratos e o frio constante pioram ainda mais a situação.

Apesar da premissa pesada, a autora conseguiu escrever um livro que contém certa leveza. O foco na família Vilkas – o pai foi preso e enviado para outro lugar – fez com a história tivesse um bom tom de compaixão. A mãe de Lina é uma mulher muito astuta e resoluta, uma guerreira que nunca desiste de acreditar no que acha certo. Isso acende uma luz no fim do túnel não apenas para Lina, mas para o leitor que torce para que a família se salve do horror.

Tem muita tristeza nessa história, mas tem muitos momentos de alento. A escrita da autora é bem objetiva e ela não se estende demais em alguns momentos sabendo que, muitas vezes, o silêncio que a página deixa o leitor vai preencher sozinho com aquilo que já sabe sobre esse momento tenebroso do mundo.

Aos que precisam de boas notícias em um livro como esse, podem ler o livro tranquilos. Lina enfrenta muita coisa ruim, mas sua história rende um final muito bonito. Apesar de ser um livro de ficção, a autora foi até a Lituânia para conhecer mais sobre a história e, certamente, aproveitou bons relatos como compor o enredo desse belo livro, que pode ser lido com rapidez e que trata de um ponto da guerra pouco abordado – a questão de que a maldade não foi, de maneira nenhuma, uma arma exclusiva dos nazistas (apesar de eles a terem usado com boa aptidão).

Como dizia uma grande professora de História que tive: “Não existem mocinhos na Guerra”.

“O que quero dizer é que estamos lidando com dois demônios que desejam governar o inferno”.

 

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