Resenha – A vida não é útil
por Bruno Lisboa
em 05/11/20

Nota:

Ailton Krenak é uma das vozes mais relevantes do Brasil. E não é de hoje. Prova disso é que Krenak vem, desde os anos 80, sendo atuante em linhas de frente como o meio ambiente e questões indígenas. Seu trabalho e sua luta, inclusive, alcançaram reconhecimento no cenário internacional. E para tentar estabelecer um diálogo maior com a sociedade o ativista vem desde o ano passado se dedicando a carreira de escritor.

Sua primeira incursão no universo da escrita foi através do elogiado Ideias para adiar o fim do mundo, obra em que critica de maneira pontual a sociedade e a urgente necessidade de refrear nossa marcha insensata para o fim dos tempos.

Já em A vida não é útil , sua segunda obra pela Companhia das Letras, Krenak segue denunciando os males da contemporaneidade. Dotado de uma linguagem simples, no livro o ambientalista realizada uma série de reflexões a partir de entrevistas concedidas durante pandemia da covid-19.

Dividido em cinco tomos, o escritor fala sobre as consequências da pandemia em tempos em que a sociedade permanece perdida, regida pelo capitalismo, a ignorância e a falta de empatia. Isto somado à ótica de governos de extrema-direita, fazem com que o caos social siga sendo perpetuado, promovendo total degradação do meio ambiente.

E assim, no olho do furacão, que Krenak faz um texto cru, direto e condizente, que promove afronta àqueles que querem destruir o que nos deveria ser o mais caro, o mais desejado: o bem estar social. Mas para tanto, a vida precisa tornar-se novamente útil e para isso se fazem necessárias mudanças radicais, desprendida das amarras de pensamentos retrógrados contemporâneos. E em tempos como os nossos, isto tem se mostrado cada vez mais importante, se almejamos um mundo mais justo.

E, ainda mais, esta justiça somente se dará se nos reconciliarmos não só com nós mesmos, mas com a natureza e toda a consonância que nos é pertinente.

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Livro enviado pela editora.

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