Resenha – Alice e Ulisses
por Patricia
em 09/06/14

Nota:

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Já tinha ouvido falar de Ana Maria Machado antes. Inclusive desse livro mesmo. Foi há algum tempo lendo um dos blogs que eu seguia. Se o blog já saiu da minha lista de feeds e da memória também, o mesmo não pode ser dito sobre esse livro. Cada vez que o via na loja, eu me advertia que tinha que lê-lo logo. Só tinha um jeito de saber se o livro valia a pena o espaço que estava ocupando na minha lista de desejados.

O enredo de Alice e Ulisses é simples: moça conhece moço em uma festa através de um amigo em comum. Encantam-se e acompanhamos o começo do que poderia ser uma história qualquer de romance. Mas a vida não é um conto de fadas da Disney e o percurso não será livre de tudo o que acontece com pessoas que tentam viver um relacionamento amoroso. Com a felicidade vem a tristeza. São irmãs, afinal. Se não irmãs, ao menos primas.

Alice é recém separada e não queria muito ir na festa. Ulisses é um diretor de cinema e…casado. Vida louca. A questão é que a intensidade com que Ulisses procura Alice é quase a mesma com que ela o deseja. Começam um caso que ambos já imaginam onde vai terminar, mas que não conseguem evitar.

Em menos de 100 páginas, Ana Maria Machado leva o leitor a um passeio não divertido, mas profundo, pela mente de duas pessoas que cedem e tentam enfrentar os obstáculos de um relacionamento marcado para acabar ou causar problemas no futuro. A questão central do livro nem é tanto que Ulisses seja casado, mas sim que todo relacionamento parece ter um ponto de discórdia. O deles acontece de ser esse. Nada é perfeito. E talvez nem deva ser. Imagina a chatisse de uma vida perfeita?

A minha menção aos contos da Disney no começo dessa resenha não é aleatória. A autora coloca no meio do texto trechos de contos de fadas que interpretam para o leitor o que está acontecendo de maneira romanceada. Enquanto os contos driblam a realidade, o leitor pode, pelo menos, imaginar um futuro promissor. Os contos nos apresentam aqueles apaixonados no começo de namoro que enxergam tudo como um romance, deixando de lado os possíveis obstáculos. Tudo parece possível, a vida é bela, o céu é azul, o pão nunca murcha e essas coisas todas que a gente acredita quando assiste ‘500 dias com ela’.

Quando os problemas insistem em aparecer, temos alguns dos diálogos mais bonitos que já li. Tem citação de Drummond, análise de filmes cults, um debate psicológico de respeito. São diálogos extremamente prazerosos de se acompanhar e fiquei pensando que dariam boas cenas para um filme do Woody Allen (um mestre dos diálogos rápidos com profundidade certeira).

Cem páginas foi muito pouco. Eu poderia ler muito mais sobre esses dois. E ainda que tenha sido tudo rápido demais, sinto que conheci muito sobre Alice e Ulisses, cujos nomes quase que soam como um só.

Ana Maria Machado é mais conhecida por suas obras destinadas ao público jovem. Alice e Ulisses, no entanto, é uma obra focada – definitivamente – em um público mais vivido. E mesmo que o tema central seja um pouco pesado – estamos falando de adultério, afinal de contas – a autora escreve de uma maneira tão poética, tão bonita (na falta de uma palavra melhor), que é bem possível que o leitor pense que está acompanhando apenas duas pessoas apaixonadas que enfrentam um problema simples. Tranquilo. Fofo. Nada demais.

Foi minha introdução a Ana Maria e definitivamente valeu a pena. É incrível descobrir esses escritores nacionais que já escreviam desde antes de eu nascer, mas que eu – vergonhosamente – ainda não conhecia. É animador o número de livros fantásticos que tenho encontrado e que saíram daqui, do quintal de casa, em português mesmo, com todas essas lindas exceções gramaticais que temos. Que venha mais!

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1 Comentário em “Resenha – Alice e Ulisses”


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Dannyelly Soares pereira em 19.06.2015 às 09:46 Responder

e muito bom esse livro da ana maria machado


 

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