Resenha – Alice in chains: a história não revelada
por Bruno Lisboa
em 16/11/16

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A banda Alice In Chains é fruto da última geração que, para muitos, soube realmente transformar o gênero rock, levá-lo para as massas e modificar a sociedade em várias vertentes (comportamental e mercadológica, principalmente).

Unindo a crueza do punk, a estética heavy metal e letras profundas e emocionais sobre as dores da existência, o grupo cuja formação inicial (e clássica) com Layne Stanley (vocais), Jerry Cantrel (guitarras), Mike Starr (baixo) e Sean Kinney (bateria) fez parte do the big four (termo emprestado da turnê dos quatro gigantes do trash metal) de Seatle formado por artistas como Nirvana, Pearl Jam e o Soundgarden.

Com carreira meteórica, a banda lançou, em curto espaço de tempo, 3 discos essenciais (Facelift, Dirt Alice in Chains) que ajudam a compreender o gênero grunge. Infelizmente, os anos dourados findaram devido a conflitos internos, saídas repentinas de integrantes e, principalmente, aos problemas com drogas de Stanley que faleceu em 2002 em decorrência de uma overdose. Para narrar esta trajetória, cheias de altos e baixos, foi lançada no Brasil a obra Alice in chains: a história não revelada (via Edições Ideal).

Escrita por David de Sola, a obra foi feita “na raça” devido ao fato de que o autor não obteve apoio por parte dos protagonistas desta história (integrantes e familiares em especial), mas isto não impediu que o mesmo seguisse em frente para retratar em detalhes a trajetória do quarteto.

Dotada de uma pesquisa meticulosa, principalmente nos anos iniciais, a fluída e reveladora narrativa traz à tona detalhes preciosos da banda que fora a primeira da cena de Seatle a obter um contrato com uma grande gravadora, a conquistar sucesso mercadológico e, tempos depois, ajudaria a alavancar toda a cena alternativa mundo afora. Outro ponto positivo é o fato de De Sola não se ater somente a carreira da banda em si, já que o autor busca as raízes históricas, mesmo que de forma breve, da infância e adolescência de cada um dos integrantes. A atenção a este ponto ajuda a elucidar muitos aspectos que futuramente fariam parte da composição sonora do grupo.

Como era de se esperar, a trajetória de Laney Stanley ocupa grande parte da obra e demonstra a degradação do artista que, quando em sã consciência, era uma pessoa doce, amável e carinhosa, mas se transformava em alguém sombrio sob efeito de drogas. De certo é que a força motriz do Alice in Chains resida justamente neste aspecto nebuloso, o preço por levar ao extremo de excessos acabou por consumir um dos maiores e mais versáteis vocalistas da história do rock.

Por mais que o livro careça de uma profundidade maior daquele período, marcado por inúmeras transformações sociais através da música no qual a banda fora umas das protagonistas, Alice in chains: a história não revelada é leitura obrigatória para compreender não só que Alice In Chains é uma das melhores bandas de todos os tempos como também serve como exemplo de superação e perseverança. Prova disso é que hoje a banda segue na ativa tendo Willian Duvall nos vocais e Mike Inez no baixo.

Procure pela caixa Music Bank (composta por 3 cds dedicados a fase clássica) e faça uma boa leitura.

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