Resenha – Alta fidelidade
por Patricia
em 18/08/14

capa alta fidelidade - nick hornby

Ok. Eu sou fã de Jonh Cusack. Acho que ele personaliza o cara tímido, desastrado, engraçado e totalmente sem noção, mas de um jeito que chega a ser adorável; se é que vocês me entendem. De todos os filmes do autor, Alta fidelidade segue no topo para mim. Eu sabia que era uma adaptação de um livro, mas ainda não tinha conseguido colocar minhas mãos nessa belezura.

Essa bela edição da Companhia das Letras só chegou às livrarias no ano passado e foi meu tapa na cara sobre o tempo que eu tinha perdido a) sem ler Nick Hornby e me avisando que b) eu precisava rever Alta Fidelidade urgente.

O enredo é bem simples – um homem de 30 e tantos anos passando por uma crise de meia idade ou algo do tipo.

Rob tem 35 anos e acabou de tomar um pé na bunda e, com isso, decide reavaliar sua vida amorosa. A coisa não é bonita, minha gente. Os primeiros capítulos consistem dele explicando para nós um por um dos seu top 5 de pés na bunda mais tristes. Laura, a ex-namorada mais recente, não entrou na lista. E ele termina com “bela tentativa. Não foi dessa vez.” Logo no começo já sabemos que essa será uma leitura cheia de referências pop e muito, mas muito, engraçada.

Rob é um cara sem grandes ambições na vida. Ele tem uma loja de discos suja e mal organizada e está feliz com isso. Mora há 10 anos no mesmo apartamento apertado e isso também não o incomoda em nada. A maior diversão de Rob, Barry e Dick (que trabalham com ele na loja) não é atender os poucos clientes que aparecem e sim fazer listas sobre qualquer assunto. Literalmente, TUDO vira um top 5 que serve para que eles identifiquem e julguem as fraquezas e virtudes de outras partes envolvidas. O que, sinceramente, eu entendo. Se alguém me disser que o Poderoso Chefão é o n. 3 na sua lista de melhores filmes do mundo, eu nunca poderia levar essa pessoa a sério. 3?? TRÊS? Não, obrigada. Poderoso Chefão é do número 1 para cima. Qualquer coisa abaixo disso e eu suspeito que a pessoa possa ser um psicopata.

Mas deixe-me falar sobre Barry – Barry também está nos seus 30 e poucos anos e sua maior diversão – além dos insanos top 5  para tudo – é gravar fitas do que ele considera música boa, ouvi-las no máximo de volume dentro da loja e quando alguém reclama, ele acusa a pessoa de ser fascista. Além, claro, de ficar ofendido quando alguém pede um disco do Stevie Wonder.O negócio dele é rock e bandas desconhecidas – ele seria hoje o hipster original; o cara que encheria seu saco quando você descobrisse uma banda que ele conheceu quando só era um nome. No filme, ele é interpretado por Jack Black – que, vamos dizer, é perfeito para o papel.

Acompanhamos Rob enquanto ele passa por todas as fases do pé na bunda. Ele conhece outra mulher – uma cantora de soul – mas Laura retorna junto com outras notícias que não ajudam nesse processo. Além da mãe de Rob deixar claro a decepção, ele descobre que Laura já está com outro cara – um ex-vizinho deles. Nada disso ajuda nos complexos de Rob e é muito divertido vê-lo se debater entre o tanto de coisas malucas que passam por sua cabeça. Depois de tudo, ele decide que precisa saber de como as mulheres que compõe o seu top 5 de ‘pés na bunda mais doídos’ estão. Com isso, ele vai revisitar parte de sua vida – como que avaliar o passado para entender o presente

Rob é um protagonista espetacular justamente poque ele tem todas essas neuroses. É divertido acompanhá-lo e rir de seus comentários sem filtro nenhum nos piores momentos possíveis (se você duvida, pense o que poderia acontecer em um funeral com uma pessoa sem noção). Cheguei a rir alto em algumas passagens. Barry e Dick também são bons companheiros com comentários sagazes e cenas engraçadíssimas. No geral, a leitura flui que é uma beleza. Quer esteja repensando a existência humana, quer esteja avaliando as chances de encarar um encontro romântico casual, Rob é um belo resumo das neuroses que afligem os dois lados – homens e mulheres em diferentes graus.

Ótima leitura para um domingo de sol enquanto você evita uma fatídica DR.

Desafio

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4 Comentários em “Resenha – Alta fidelidade”


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Lígia em 27.08.2014 às 14:54 Responder

Bela resenha, adoro o Nick Hornby 🙂

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Paty em 27.08.2014 às 15:04 Responder

Opa, obrigada. 😀
Esse foi o 1o livro que li dele…agora estou doida para ler outros. Achei muito excelente. 😀

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Rafael em 01.09.2014 às 01:15 Responder

Nossa, faz muito tempo que li esse livro, mas lembro de ter amado o jeito do Nick Hornby contar a história, conheci boas bandas lendo ele. Tenho o VHS do filme até hoje aqui em casa hahahahaha e compartilho de sua opinião sobre o John Cusack 🙂

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Paty em 01.09.2014 às 07:44 Responder

Eu estou caçando mais Hornby agora. Pelo que ouvi falar, todos os livros dele seguem essa mesma linha. Então já sei que vou amar tudo. rs
Até hoje sou fã de John Cusack mais por esse filme do que qualquer outro que lembro dele. 😀


 

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