Resenha – Amor sem fim
por Patricia
em 10/06/13

Nota:

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Conheci Ian McEwan primeiro no cinema com a adaptação de Reparação, que aqui virou Desejo e Reparação (confundindo fãs de Jane Austen). O filme é realmente muito bonito e a história é original e chamou minha atenção. Mas enquanto eu não conseguia colocar minhas mãos em Reparação, eu encontrei Amor sem fim e, como não tenho paciência de esperar, comecei a introdução a McEwan por ele mesmo.

A história é narrada por Joe Rose que está empolgado com o retorno de sua namorada Clarissa de uma viagem por Portugal e Espanha. Ele planejou tudo para que o retorno dela seja tranquilo e eles possam retomar o relacionamento de onde parou. Ele a encontra no aeroporto e gasta uma fortuna planejando um piquenique no parque. Tudo parece lindo. Quando estão prestes a abrir o vinho eles ouvem um grito.

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Joe sai correndo e encontra outros 5 homens que também ouviram o grito e correram para saber o que estava acontecendo. A cena é impensável: um balão está caindo descontroladamente e um homem está enrolado nos cabos tentando se soltar. Para piorar tudo, uma criança está dentro da cesta em choque e o vento ameaça levantar o balão novamente.

Com o peso dos 5, eles têm uma boa chance de manter o balão no chão de maneira que o avô e o menino consigam se controlar e se salvar. Mas não contavam com rajadas fortíssimas de vento suficientes para levantar todos eles no ar. Se todos se segurassem, o balão iria apenas pairar próximo o suficiente do chão para que ninguém se machucasse ao cair, mas um deles se solta. Logo, outros 3 homens – incluindo Joe – soltam as cordas. O balão sobe rumo aos fios de eletricidade e o desespero agora é dobrado: além do menino na cesta, um dos homens que veio ajudar continua segurando a corda. Sozinho, ele tenta evitar uma catástrofe iminente.

Logo a tragédia se completa, o homem que continuava segurando a corda – Logan – não aguenta segurá-la por muito tempo e cai. Só que como o balão já subiu muito, a queda é de uma altura considerável e Logan basicamente desmonta no chão, morrendo na hora.

Começa então uma série de obsessões estranhas e completamente inesperadas causadas simplesmente pelo acaso: um dos homens que viu Logan morrer passa a perseguir Joe Rose, dizendo que o ama, que pode salvá-lo e chega até mesmo a ficar na frente de seu prédio por horas e horas esperando algun contato. Ele telefona desesperadamente e sua obsessão começa a afetar o relacionamento entre Joe e Clarissa. O acaso acaba transformando a vida dos envolvidos muito mais do que se imaginava.

Aos poucos, vamos descobrindo que há um tom de obsessão em todos os envolvidos na história e até um pouco de loucura.

O livro é bem escrito, mas nas últimas 50 páginas, o nível de detalhe dos devaneios de Joe chega a ser cansativo. Talvez porque ele mesmo já estivesse quase perdendo a sanidade com e começa a ficar obcecado com a situação em si mais do que com a causa dela. A mente humana é realmente uma bagunça, às vezes. Mas essas partes me fizeram pensar que o autor tentava nos situar no passado de todos os comentários possíveis feitos pelos personagens. São passagens longas demais – e algumas, enfadonhas – enquanto esperamos algo acontecer.

No geral, um bom livro e uma boa introdução a McEwan mas ainda não é O livro. Terei que tentar novamente.

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