Resenha – As brigadas fantasma
por Patricia
em 13/07/20

Nota:

“As brigadas fantasma” é o 2o livro da série “Guerra do velho” (resenhado aqui). É possível que haja spoilers do primeiro livro nesta resenha.

O enredo se passa anos depois do fim de “Guerra do velho” quando os humanos venceram os Rraeys na Batalha de Coral. Porém, logo descobre-se que duas raças se uniram aos Rraeys em busca de vingança. Assustados, os militares das Forças Coloniais de Defesa (FCD) buscam entender como poderão defender a humanidade nessa guerra.

As coisas ficam ainda mais intensas quando descobrem que há um humano, ex-cientista das FCD, que parece ter se tornado um traidor e estar cooperando com os inimigos.

Apenas um personagem do livro original retorna para esta história: Jane Sagan. Fora ela, todos os nomes que veremos são novos. Porém, não acredito que seja possível ler este sem ter lido o primeiro livro, principalmente porque grande parte do contexto tecnológico é dado no primeiro livro da série. Por isso, sabemos já bastante de como as Brigadas Fantasmas funcionam e como são criadas e isso será crucial nesta nova jornada.

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Neste segundo volume, ao descobrir que um cientista humano havia virado a casaca, as FCD precisam encontrar as pesquisas do cientista, Charles Boutin, para saber o quanto ele sabia e o quanto estava envolvido com as novas tecnologias. As mesmas estavam sendo desenvolvidas para definir o que ele poderia ter dado aos inimigos.

Uma tarefa que se mostra mais difícil do que se esperava até que se descobre que Boutin criou um clone e passou parte de sua consciência ele antes de matá-lo para que parecesse que ele mesmo havia se matado. A mente estava armazenada em um computador que ainda não havia sido reformatado e isso dá às FCD uma saída: recriar um clone de Boutin e ver se a mesma funciona neste novo corpo e, talvez, entender as motivações do cientista e como poderiam encontrá-lo.

Nasce, então, Jared Dirac. Com base no DNA de Boutin e adição das tecnologias insanas das FCD, ele nasce com mais memória que a maioria dos membros da Brigada, mas há grandes desafios em fazer com que sua nova vida se conecte com a do homem que a inspirou.

Nesse meio tempo, os humanos tentam freneticamente encontrar modos de lutar com três raças inteligentes ao mesmo tempo em uma guerra velada. As coisas escalam quando naves humanas começam a desaparecer sem deixar vestígio. Ficam ainda piores quando descobrimos que a União Colonial mantém um controle total sobre os humanos que mal sabem o que acontece.

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Novamente, as reviravoltas da história são previsíveis, mas o que Scalzi busca não parece ser o fato de choque no leitor. Há uma conversa importante sobre os limites da ética em momentos de exceção, bem como da liberdade de expressão em forças ultra-militarizadas. O drama pessoal de alguém que nasce para um função específica, mas não entende bem qual seria essa missão, é muito bem retratado e dá um tom mais pessoal ao livro – talvez mais do que no primeiro volume da série.

As cenas de luta seguem bem boas e rendem uma leitura fluída – 370 páginas que podem ser lidas em poucos dias.

Eles suspeitam de nós, explicou Brahe. Eles nos criaram com o objetivo de defender a humanidade, mas não têm certeza de que somos humanos o bastante. Nos projetaram para sermos soldados superiores, mas temem que o projeto seja falho. Então, nos veem como menos que humanos e nos atribuem serviços dos quais têm medo, achando que tais serviços podem fazer deles menos humanos. Fazem o suficiente de nós para esses serviços, mas não mais que isso. Não confiam em nós porque não confiam em si mesmos. [pág. 103]

Uma boa continuação, que amplia a conversa sobre guerra enquanto ainda entrega ação e aventura no tom certo!

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