Resenha – As correções
por Bruno Lisboa
em 09/12/15

Nota:

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Jonathan Franzen me foi apresentado na extinta revista Bravo através de uma resenha favorável de Liberdade, livro lançado em 2010. De súbito adquiri a obra, mas a mesma permanece até hoje intacta na minha estante (coisa de comprador compulsivo de livros). Porém, com o início da nossa parceria com a Companhia das Letras (editora detentora de todo o catálogo do escritor) me senti impelido a dar uma chance ao autor americano. A minha escolha foi o multipremiado As correções, livro vencedor do prestigiado National Book Award for Fiction de 2001.

Primeiramente, confesso a minha inaptidão em palavras que consigam descrever  de maneira honesta e contemplativa o impacto gerado na minha pessoa ao ler esta grande obra. Tal como Don DeLillo (autor do clássico Ruído branco) Franzen faz de As correções um autêntico retrato da sociedade americana , mas que de alguma forma reverbera mundialmente.

No enredo temos a família Lambert formado por Alfred, um engenheiro ferroviário aposentado; Enid ,uma dona-de-casa comum; cuja vida interiorana é tumultuada por conflitos internos e ideológicos. O casal tem três filhos adultos que não suportam a vida familiar e não convivem entre si. Gary, o mais velho, é um banqueiro  afetado pela depressão e por um casamento a beira da falência. Denise, é uma bem sucedida chef de cozinha, mas sua vida pessoal acaba por interferir na concretização do seu sucesso. Já Chip, o filho do meio, é um roteirista frustrado, mulherengo, que arruína a sua promissora carreira de professor universitário ao se envolver com uma aluna.

Por toda sua longa narrativa (586 páginas) cada um dos personagens tenta corrigir erros da passado e do presente, mas esbarram em problemas pessoais e se veem presos a realidades inicialmente imutáveis, sem saída. A tensão é ainda maior a medida em o patriarca é consumido pelo Alzheimer e Enid deseja que seus filhos passem o último natal juntos para “tudo” possa se acertar.

De maneira impiedosa, mas de forma pontual e impactante, Franzen constrói a partir  das agruras e da decadência do núcleo central de personagens um painel fidedigno da sociedade contemporânea, que se encontra perdida entre inúmeras mudanças econômicas, o uso de medicamentos antidepressivos, a busca da felicidade através do hedonismo e do consumismo desenfreados e no conflito de gerações. Quadro geral em que, aparentemente, estamos imersos e com parcas possibilidade retorno. O final “hollywoodiano” em sua plenitude passa longe por aqui.

Amargo e doloroso em muitos momentos, As correções consegue externar de maneira fidedigna o peso que a vida adulta traz consigo, mas de alguma forma extrai beleza da dor que é viver na contemporaneidade.

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O livro foi enviado pela editora.

 

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