Resenha – As pequenas memórias
por Juliana Costa Cunha
em 03/03/21

Nota:

As pequenas memórias foi lançado em 2006 e que, como o próprio nome remete, nos apresenta as memórias de Saramago. É um livro curto, 142 páginas nesta edição da Companhia das Letras, porém, para as pessoas que leem e apreciam o autor, é um livro imenso e cativante.

Nas páginas de As pequenas memórias nos deparamos com um Saramago criança e pré adolescente. O autor nos apresenta suas lembranças e memórias afetivas, partindo das suas primeiras memórias até seus 15 anos. O adulto Saramago revisita a criança Zezinho, deixando-se levar por ela, como bem nos sugere a epígrafe do livro.

Saramago volta às suas origens em Azinhaga, fazendo metáforas lindas sobre o rio da vida e o rio de sua aldeia. Nos conta sobre uma infância pobre, cheia de restrições, mas de muito amor familiar e muitos casos de família bem peculiares.

Azinhaga é também o lugar de afeto e proximidade dos avós maternos de Saramago, dos quais relata seu grande afeto pela família, por bichos e a natureza de modo geral. Essas lembranças dos avós maternos trazem momentos muito engraçados e, também, emocionantes como a passagem em que o avô pressente que está partindo e abraça-se às oliveiras. E outra passagem com sua avó, aos 90 anos, tendo ele sentado ao colo na soleira da porta e olhando as estrelas… um trecho belíssimo de amor à vida. A casa dos avós maternos era para Saramago “o lar supremo”. Em contraponto, a relação com os avós paternos na qual o menino Zezinho conhece a secura dos afetos.

As memórias não estão em ordem cronológica e isso é muito bom. Pois a impressão que dá é que estamos conversando com o autor e ele vai lembrando e nos contando os fatos. Uma memória puxa a outra, não necessariamente em sequência. E são nelas também que o autor vai nos informando que muitas das vivências do menido Saramago encontram-se nos livros que o adulto escreveu. E é tão bonito encontrar essas referências!

Penso que este é um livro que pode ser lido por qualquer pessoa. Tendo essa perspectiva de ser um livro afetivo. Mas, para quem já tem proximidade com a obra de Saramago ele ganha outras conotações. Ficamos com todo o afeto relatado no livro, somadas às informações que o autor faz às obras que foi escrevendo ao longo da vida e fazendo uso de determinadas passagens de sua própria vida. Eu achei esse livro belísssimo.

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