Resenha – Auto Da Compadecida
por Ragner
em 05/08/14

Nota:

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Há tempos venho pensando quando escreveria uma resenha sobre essa obra prima. Cogitei escrever sobre o filme, pois é sem dúvida o filme nacional que mais gosto. Sou completamente apaixonado por ele. Mas após a morte do escritor e formidável criador desse magnífico “auto”, minha intenção cresceu ainda mais e decidi escrever sobre o formato em peça. E faço isso escutando uma banda que me faz refletir muito sobre a arte como aspecto cultural que ultrapassa limites e congrega mais de uma arte. O Teatro Mágico consegue juntar música, teatro e apresentações circenses em seus shows e pensei neles na hora em que comecei a dedilhar minhas impressões sobre a peça em questão.

O Auto Da Compadecida é uma conjugação de condições nordestina. Aqui podemos apreciar o drama do povo do sertão, a riqueza de trejeitos e vocabulário e a emocionante comédia humana que faz com que a força do povo seja maior do que todas as desgraças que os afligem. Sou mesmo um alucinado pelo filme e agora descobri que mudanças ocorreram, que personagens a mais foram incorporados no cinema (no seriado anteriormente que logo em seguida foi para as telonas), mas que muitas falas são originais e perpetuam.

“Não sei, só sei que foi assim – Chicó”. “Ah promessa desgraçada, ah promessa sem jeito… – João Grilo”.

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Como é detalhado no livro, o Auto “foi escrito com base em romances e histórias populares do Nordeste” e também temos toda a influência da cultura de cordel que, aparentemente, Ariano pode ter se baseado em alguns momentos. Referencia é o que não faltava e textos da tradição nordestina parecem mesmo terem servido de inspiração. A peça é escrita em 3 atos e a cada um deles um palhaço serve como narrador, um apresentador de toda a trama que vai se desenrolando e caracterizada dentro do contexto teatral.

Os personagens Rosinha, Cabo Setenta e Vicentão não estão na peça, já o Frade e o Sacristão, não aparecem no filme. Outra diferença é que no filme aparece apenas o Diabo, enquanto na peça há o Encourado, que é o Diabo e o Demônio, que é servo do Diabo. As falas são idênticas como um todo e a ambientação no livro sugere que tudo seja preparado como em uma apresentação teatral, não só os diálogos, como também uma arrumação anterior a cada ato.

O livro ainda possui explicações sobre a “tradição popular e recriação no Auto da Compadecida”, contando sofre como a narrativa de Suassuna está relacionada com comédias medievais e renascentistas, com folhetos de cordel e toda uma prática de sátira social que trabalha a sujeira do dinheiro e conceitos de morte e ressurreição e mais no final ainda há uma biografia do autor. Vale muito a pena conhecer um pouco mais, em homenagem a vida de Ariano e a sua obra também.

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