Resenha – Bonequinha de luxo
por Patricia
em 20/01/14

Nota:

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Esse é um livro clássico da categoria adoráveis. Escrito por Truman Capote no final da década de 50, o enredo nos apresenta uma personagem principal inesperada: uma acompanhante de luxo, vamos dizer.

Narrado por um escritor que luta com suas histórias e de quem nunca sabemos o nome (Holly o chama de Fred, em uma referência carinhosa a seu irmão), ele nos apresenta a Holly Golightly – uma jovem diferente que vivia em seu prédio. Holly tem 19 anos e mora sozinha em um apartamento em Nova York. Ela chega quase sempre tarde em casa acordando os vizinhos por sempre esquecer a chave do portão. É assim que Fred a conhece.

Por algumas noites, ela o chama pedindo para que ele abra o portão no meio da madrugada. Holly parece estar curtindo a vida e sua juventude em uma cidade nova.

Aos poucos, Fred vai descobrindo mais sobre ela. De onde ela vem é um mistério mas sabemos que é do interior e que um agente de Hollywood lhe disse que poderia ser atriz. Ela vai para a cidade grande procurar oportunidades de tornar-se uma estrela. Mas Holly não parece extremamente interessada nisso: ela parece querer aventuras e aproveitar para conhecer aquilo que nunca lhe pareceu possível antes. E a maneira como decide fazer isso é aproveitar sua juventude e sua beleza para conseguir favores masculinos. Ela chega até mesmo a se envolver com um mafioso setentão a quem ela visita na prisão toda semana.

Ela consegue esses favores porque poucos parecem ser os homens que ficam indiferentes a sua presença. Holly aproveita-se disso para viver o que sempre quis.

Enquanto alguns usam o termo prostituta para defini-la, o próprio Capote dizia que ela seria mais uma Geisha: ela criava uma ilusão de possibilidade para seus ‘amigos’ do sexo masculino, mas a realidade poderia ser muito diferente. Apesar de falar sobre ter ido para a cama com homens antes, Holly chega a fechar a porta na cara de um homem que a acompanha até em casa certo dia, apesar dele deixar muito claro que pagou a conta e que isso lhe dá o direito de ser “gostado”. Então não temos certeza do que ela realmente faz com esses “amigos”, é por isso que alguns a definam mais como uma acompanhante de luxo do que uma prostituta.

À medida que sua amizade com Holly evolui, nosso narrador vai descobrindo mais sobre o passado dela e a amizade entre os dois se fortalece.

Talvez seja chover no molhado dizer que Truman Capote é um escritor fantástico. Mas Truman Capote é um escritor fantástico! Ele consegue escreve sobre, claramente, qualquer coisa. Fiquei muito impressionada com a maneira como ele conseguiu colocar reviravoltas em uma história que parecia bem simples no começo. Eu sei que a maioria dos escritores utiliza esse artifício, mas acho que são poucos os que conseguem utilizá-lo sem perder o fio da meada do enredo ou parecer forçado.

Eu confesso que vi o filmes diversas vezes antes de ler o livro e achei muito difícil desassociar a Holly do livro de Audrey Hepburn. Por mais que Holly parecesse grosseira em certos momentos (no sentido de não saber a melhor maneira de se portar), eu a imaginava com a classe característica de Hepburn. O que me ajudou foi rever o filme depois que terminei o livro. Porque são histórias bem diferentes. Basicamente, para o filme usaram apenas os dois personagens principais mas criaram situações que não estão no livro e adaptaram outras, além de terem mudado completamente o final.

E até entendo algumas adaptações – a Holly ficar grávida (sem estar casada), apanhar da polícia e perder o bebê poderia ser demais para a platéia dos anos 50-60.  No fim, o filme pareceu uma extensão do livro e não tenho reclamações. São dois clássicos em seus direitos.

Comprei esse livro há muito tempo em um sebo e resolvi tirá-lo da estante para o Desafio Literário do Tigre. O tema de Janeiro foi “na estante” e tínhamos que ler um  livro que estava encostado há muito tempo. 🙂 Desafio 1 – CONCLUÍDO!

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3 Comentários em “Resenha – Bonequinha de luxo”


Elvis Costello Gritou Meu Nome | #DLdoTigre – Fechamento de Janeiro em 10.02.2014 às 10:59 Responder

[…] Talvez seja chover no molhado dizer que Truman Capote é um escritor fantástico. Mas Truman Capote é um escritor fantástico! Ele consegue escreve sobre, claramente, qualquer coisa. Fiquei muito impressionada com a maneira como ele conseguiu colocar reviravoltas em uma história que parecia bem simples no começo. Eu sei que a maioria dos escritores utiliza esse artifício, mas acho que são poucos os que conseguem utilizá-lo sem perder o fio da meada do enredo ou parecer forçado. – Resenha de Patricia Quartarollo para Bonequinha  de Luxo, de Truman Capote […]

Bonequinha de Luxo | Duas Libras em 16.03.2014 às 11:38 Responder

[…] Resenha que a Patricia Quartarollo fez sobre o mesmo livro para o Desafio, caso vocês queiram ler uma opinião diferente da minha hahaha […]

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Francisco Gabriel em 17.10.2018 às 03:58 Responder

O filme me faz refletir que isso é uma característica das mulheres.
Porém, de fato, nem todas são assim. Independente de qualquer ocasião,
circunstância, sanidade mental ou qualquer outro atributo que queiram
atribuir a ela para justificar sua personalidade. Eu, particularmente,
acho deplorável pessoas com este tipo de carácter. O paradoxo vem a seguir…
Isso, na minha humilde opinião, seria não ter carácter. Tenho nojo de mulheres
assim, que se utilizam da fraqueza alheia com o intuito de se auto beneficiar.
Em uma situação com gêneros opostos seria menos mal/ruim/feio?
– Analisem a sociedade, vejam se isso é possível. É uma questão
não somente social como também genética… Ciência e história estão polimerizados.
Há as exceções! ambos, não gostariam de serem ludibriados.


 

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