Resenha – Boo
por Ragner
em 29/11/16

Nota:

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Há livros com histórias simples, enredos sem grandes tramas e narrativas que parecem dirigidas ao público YA e ainda assim são bem legais. Boo é um caso que pode ser incluído muito bem nesse contexto. O autor não parece, nesse livro, ter grandes aspirações em uma escrita mirabolante ou cheia de reviravoltas, tudo segue de maneira bastante fluida e que dá aquele gosto de saber como tudo vai se desenvolvendo. Me lembrou um bocado de Meu Amigo Jesus Cristo e mesmo possuindo linguagens diferentes com Boo, sendo bem mais leve, senti uma atmosfera parecida, já que tratam de assuntos referentes a situações que estão além da nossa realidade terrestre. Em Meu Amigo Jesus Cristo, Lars Husum versa sobre um Jesus um tanto quanto fora dos padrões e Neil Smith, em Boo, trata do céu um tanto fora dos padrões também.

Boo é como que uma carta de um garoto de 13 anos que quando morre, passa seus dias tentando aprender a “viver” em um lugar pós morte e ainda se sente motivado a explicar tudo o que lhe aconteceu em vida (e na morte) para seus pais. A principio Oliver Dalrymple – apelidado de Boo – acredita que morreu por causa de um “buraco” no coração. Ele acorda em um lugar diferente e como sempre viveu à margem, sofrendo bullying e parecendo um fantasma (por causa da pele pálida, responsável pelo apelido “Boo”), ele não se sente mal por estar naquele lugar, mas mesmo assim tem um desejo de esclarecer como foi sua existência na Terra – e além túmulo – para seus pais. O livro trata dessa aventura de descobertas e aceitação.

Boo, diferente de como era quando vivo, agora possui amigos e um em particular o faz entender como a vida era influenciada por aparências. Johnny Henzel era um menino que zoava Boo na escola (Johnny era atleta e popular, enquanto Boo era o típico nerd, que ainda por cima odiava contato físico com qualquer pessoa). Depois de alguns dias na Cidade (nome dado ao Céu), Boo encontra com Johnny, que lhe conta que eles foram assassinados em um massacre cometido por outro garoto na escola. Boo não se lembra de como o fato aconteceu, mas Johnny jura que se lembra até do rosto do atirador e acredita que o assassino também está morto e ali na Cidade, junto com eles. Seu mais “novo amigo” também vai se mostrando bem diferente de como era em vida.

Com a ajuda de outras pessoas, que também vão ensinando mais sobre a Cidade e suas particularidades, Boo e Johnny aprendem mais sobre coisas que desacreditavam enquanto estavam vivos (de acordo com suas crenças), passam a conviver com outras pessoas que também sofriam com conflitos individuais e começam a entender como tudo acontece por algum motivo.

Os dois amigos vão aprendendo como a Cidade funciona, como para cada morte e idade existe um grupo de apoio e um lugar diferenciado (a Cidade em que eles agora vivem só acolhe garotos e garotas que morreram aos 13 anos). A Cidade parece uma cidade normal, mas que vai se “consertando” a qualquer acidente: pessoas se machucam gravemente e vão se recuperando rapidamente e mesmo construções vão se reconstruindo com o tempo, não existem insetos ou pragas, todos passam a ser vegetarianos e Deus – chamado de Zig – distribui mantimentos e alimentos à medida que a população precisa. Cada pessoa na Cidade passa a exercer alguma função depois de 6 meses de adaptação e após 5 décadas vivendo nela, todos podem morrer novamente, só que para sempre.

Gostei da história, gostei do ritmo e da escrita, Neil Smith inventou um céu que se fez novidade e se manteve longe daquele lugar repleto de perfeição e previsibilidade (sem anjos, harpas ou vales verdejantes). Smith trabalha o universo adolescente de uma maneira despretensiosa e o livro narra o olhar de um garoto que sofria bullying, tinha aversão de muitas coisas enquanto vivo e, depois de morto, tenta registrar para os pais aquilo que nunca tinha falado. Boo discute relações de amizade e família, versa sobre respeito e conflitos adolescentes com uma linguagem juvenil e que possibilita ao leitor, uma visão diferenciada daquilo que costumamos ler em outros livros do gênero. Percebo Boo como um livro que tenta esclarecer alguns traumas normais para aqueles que estão passando pela puberdade e se aproximando da juventude. Mesmo como uma pessoa que já tenha passado por coisas do tipo há mais de duas décadas, li o livro com interesse.

***

Livro enviado pela editora.

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1 Comentário em “Resenha – Boo”


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Maria Fernanda em 07.12.2016 às 15:47 Responder

Eu também li esse livro pelo sistema de parceria, adorei o final, é incrível como não previ o que iria acontecer, mas é notável que o autor desenvolveu bem os temas. Chorei e ri muito, indico para todos, para mim foi 5 estrelas e favoritado, um dos melhores do ano.


 

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