Resenha – Budapeste
por Gabriel
em 22/03/14

Nota:

BudapesteBudapeste é o terceiro romance de Chico Buarque, de longe muito mais conhecido por sua atuação na música. É uma obra contemporânea, de 2003, reeditada posteriormente pela Companhia das Letras em uma edição econômica, bem leve e de capa mole.

A obra é um romance de ficção que se organiza em uma estrutura de sequência temporal, tendo porém alguns momentos de flashbacks ou confusão do personagem principal. Aliás, apesar de não ser contada em primeira pessoa, as cenas em geral são descritas de acordo com a subjetividade do personagem, um escritor que produz textos para outras pessoas; ou seja, um ghost-writer.

José Costa, o ghost-writer, é casado com uma apresentadora de telejornal e vive uma vida de rotina. Sua tranquilidade é abalada quando o personagem é obrigado a desembarcar na cidade que dá título ao romance, onde conhece uma língua totalmente diferente de tudo com o que já tinha tido contato (o húngaro) e pessoas que deixarão sua vida e suas convicções de cabeça para baixo. A partir daí, a trama gira em torno das reviravoltas que Costa dá em sua vida e na confusão psicológica que se segue, agravada por um momento profissional peculiar.

Budapeste se utiliza de dois elementos pouco explorados, ao menos na literatura brasileira: a capital húngara e a vida de um escritor que produz textos para que políticos, outros escritores, atores ou quaisquer outras pessoas, dado o devido pagamento, possam assina-los.

A trama na obra é coerente, apesar de momentos de surrealidade, principalmente causados pela subjetividade que vem de estarmos sempre recebendo o ponto de vista do personagem principal. Os assuntos escolhidos são interessantes e prendem o leitor, que fica ávido por conhecer mais daquele mundo estranho, mesmo que não haja grandes momentos de ação ou cenas dignas de um script hollywoodiano. O texto flui de uma forma simples e que facilita a leitura; o recurso de repetição é utilizado para reforçar a visão subjetiva, sendo usado tanto dentro de frases quanto na própria obra, em que por vezes alguns assuntos são retomados repetidamente.

José Costa é um protagonista improvável, mais vítima das circunstâncias e de suas escolhas do que realmente um líder, mas conquista o leitor ao expor fraquezas humanas e de fácil reconhecimento. Alguns de seus diálogos e ações são simplesmente catastróficos e aproximam o leitor da figura humana ali retratada.

A edição econômica da Companhia das Letras agradou muito, com um formato e um acabamento que facilitam e incentivam a leitura. Como um livro relativamente curto, é altamente recomendável para praticamente todos os públicos (adultos).

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