Resenha – Cada um a seu modo
por Juliana Costa Cunha
em 29/10/21

Nota:

Em Cada um a seu modo, Marcelo Lotufo nos entrega 5 contos, cujo tema central gira em torno das relações humanas, em seus mais diversos formatos. A obra é um curioso exercício de pensar no trânsito que essas relações provocam, como as mesmas interferem na vida das pessoas envolvidas e como também aquelas que estão no seu entorno. Um livro que faz uma reflexão existencial e resgata memórias.

No primeiro conto – O tempo dos beija flores – temos uma narrativa que nos fala sobre a brevidade da vida. A perda do avô e o tempo que passou distante dele, faz com que o narrador, sabendo do agravamento do Alzheimer de sua avó, decide romper com seu ciclo de viagens para ficar próximo dela. Aqui temos o beija flor, esta ave, sempre presente com o avô e que acompanha sua avó até seus momentos finais, representando o belo e o fugaz da vida.

Nora Helmer, segundo conto do livro, traz no título a referência à personagem de Casa de Bonecas escrito por Henrik Ibsen, grande clássico da literatura mundial. Nos conta sobre um casal que vê sua relação desgastada após o nascimento do filho, ora acompanhamos a narrativa da mulher, ora a do homem, ao longo da narrativa, os dois se encontram e se desencontram e fazem suas escolhas e apostas ao final dele. 

Em Passacaglia literária, terceiro conto nos deparamos com um escritor que recebe a encomenda de um jornal para uma coluna com o tema “o que é literatura?” e, assim, acompanhamos este escritor em sua missão de escrever este texto. Temos então uma discussão sobre o ofício da escrita, visto ser um texto por encomenda. E as divagações do nosso narrador sobre o que é literatura, seus caminhos e referências que o levam a escrever o texto. Em Pássaro rebelde, penúltimo conto do livro, acompanhamos Gustavo, um doutorando em fim de relacionamento e passamos uma tarde com ele e sua amiga Ana, que tenta lhe mostrar outras formas de ver as coisas e seu interesse por ele e para além da amizade sem, no entanto, conseguir.

Finalizando o livro, temos o conto que mais me chamou atenção, intitulado Dia nublado. Esse conto faz um caminho de volta ao primeiro conto, em minha opinião. Nele, o narrador se depara com a morte do pai e faz um percurso em suas memórias, resgatando a memória de sua mãe e o tempo em que era uma criança que brincava de se esconder no cemitério. É uma metáfora bonita entre a morte e o nascimento.

***

Livro enviado pela Edições Jabuticaba

Postado em: Resenhas
Tags: , ,

Nenhum comentário em “Resenha – Cada um a seu modo”


 

Comentar