Resenha – Cadê você, Bernadette?
por Patricia
em 04/11/15

Nota:

Unknown

 

Antes de ler Cadê você, Bernadette? – eu já havia ouvido muito falar sobre o livro. Muitos leitores se referiam ao livro como “divertido” e “engraçado”. A capa em si também já dava a entender o tipo de leitura que me esperava. Apesar de saber das impressões de pessoas, eu sabia muito pouco sobre o enredo em si – o que normalmente prefiro antes de ler qualquer livro.

Cadê você, Bernadette? é um livro difícil de explicar porque ele tem uma estrutura diferente de tudo que já li até hoje. Ele segue uma linha do tempo, mas não segue uma narrativa padrão. O texto é composto de fragmentos de várias comunicações, aos menos é o que parece a primeira vista: e-mails de várias pessoas para várias pessoas, notas, comunicados internos da Microsoft (onde o marido de Bernadette e o pai de Bee trabalha), artigos de revistas e etc. Apenas mais para frente vamos entender como tudo isso se encaixa no enredo.

Bernadette é uma figura. A primeira parte do livro é destinada a nos mostrar exatamente como Bernadette era de trato difícil por causa de um trauma do passado e à medida que começamos a entender o que aconteceu, o livro fica cada vez mais divertido. Suas divagações são sempre interessantes e ela é o que poderíamos chamar sem muito critério de pessoa “excêntrica”.

De fato, ela e sua família moram em uma antiga escola de meninas caindo aos pedaços, mas que Bernadette – que estudou arquitetura e fez uma carreira invejável até “o acontecimento” – dizia que iria reformar, mas nunca o fez; ela também se refere à Microsoft como “Big Brother” e fez uma amiga na Índia a quem pede ajuda para tudo – de pedido de remédios a organização de uma viagem para a família.  Tudo isso para evitar ter contatos muito longos com as pessoas de Seatle e, em especial, com as demais mães do colégio de Bee, às quais Bernadette chama de “moscas”.

E ainda assim, assuntos bem importantes aparecem na trama  – uma mulher com uma carreira brilhante pela frente que se torna dona de casa e começa, aos poucos, a definhar por não poder exercer sua criatividade; um casamento que sofre com a rotina; pais que tentam lidar com sua filha superdotada que parece não se encaixar em lugar nenhum. São assuntos que poderia fazer dessa uma história extremamente pesada nas mãos de outra pessoa. Porém, Maria Semple consegue colocar todos esses temas nas entrelinhas sem abusar e sem o uso de uma abordagem sensacionalista feita para verter lágrimas ou converter as pessoas ao Mausoléu Bernadette como um Nicholas Spark da vida tenta fazer.

Em suma, o livro é a história de qualquer família. Mas principalmente trata do relacionamento de mãe e filha – ambas com um jeito muito individual de lidar com o mundo. A relação delas é muito bonita e é justamente Bee que vai procurar a mãe quando todo mundo já desistiu.

O humor do livro será facilmente reconhecido por fãs de shows como o sensacional Arrested Development (que também trata muito o drama como comédia) e o show que trouxe Helen Hunt para as telinhas, Mad about you. É um humor sutil, sagaz mas que permeia todas as cenas não importa quem está narrado e o que está acontecendo. Semple escreveu para a TV por 15 anos e o livro demonstra isso: as cenas são rápidas e sem longos parágrafos descritivos. A autora também usou as próprias experiências para colocar no livro: tal como Bernadette, Maria Semple também estava chegando em Seatle e sua família também foi à Antártica em uma viagem inusitada.

Uma excelente pedida para limpar o paladar e garante uma leitura gostosa daquelas que faz o tempo passar mais rápido.

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O livro foi enviado pela editora.

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