Resenha – Canoas E Marolas – Preguiça
por Ragner
em 11/06/14

Nota:

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A preguiça é sem dúvida um dos meus pecados capitais favoritos, digo, que realizo (incluo a gula e a luxúria). A cada livro lido da coleção, venho tentando traçar alguma relação da história com o autor, como muitos não conheço bem, tento, também, ler imaginando como o que está escrito pode ou não ser relevante na vida de quem está escrevendo. Dos 3 que já li um girava em torno de uma história real – Inveja – outro – Ira – completamente criada sobre como tal pecado é muito mais dependente dos outros e agora a Preguiça, que me pareceu bem confuso no começo.

Mesmo sendo um livro meio arrastado no início, gostei de como o pecado em questão conseguiu ser tratado durante toda a leitura. O autor, não sei se era verdadeiramente intenção, fez com que a Preguiça me acompanhasse página à página e só com algumas dezenas de páginas a frente, é que fui me interessando mais e até me envolvendo com a narrativa. Como tudo o que gira em torno da preguiça, a priori o livro me pareceu cansativo, mas caiu como uma luva e li mais como algo proposital, o que garantiu uma canequinha a mais.

Sem grandes apresentações e introduções em relação ao enredo, de cara conhecemos um homem que chega a uma ilha e que está a procura de sua filha, Marta, filha que nem certeza tem se é mesmo sua e que só sabe que é estudante de medicina. Ele tem em mãos a chave da casa dela, passa algum tempo junto de um garotinho, que parece índio, e se mostra dramaticamente desconhecedor de muitas coisas sobre sua própria vida, cansado, desinteressado, nem ao menos reativo…um preguiçoso de marca maior em sua essência.

 

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“…Tudo o que me acontecia agora vinha do fato de eu não querer admitir a vontade de desistir da filha, do garoto, da ilha. E tudo ia assim para despistar minha inapetência, ao invés de se costurar a outro na cadência dos fatos, me ancorava ainda mais numa clareira raspada, me atrasava, a ponto de eu perder a memória de como prosseguir…”

Em tudo o homem reclama de algo, ainda mais de si e sua condição letárgica. Sua vida é demonstrada com uma apatia sem igual e ele vai narrando tudo que acontece consigo e com os outros com quem vai convivendo, sem grande empolgação, e até mesmo chega a querer deixar tudo para lá, como se fosse cansativo ficar descrevendo ou falando sobre qualquer coisa. Mas com um dom pra enrolar que já vi em muitas pessoas reais.

O livro não dá aquela empolgada, mas como disse antes, acredito mesmo que pode ter sido a intenção do escritor e isso contou em minha análise. E me deu mais vontade de ler os demais livros, pois a cada título, um autor trata o pecado de maneiras bem diferenciadas e escrevem sem seguir uma lógica para a coleção, eles conseguem ser completamente autônomos e isso é muito bom.

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