Resenha – Chamada Perdida
por Ragner
em 05/04/13

Nota:

 

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Michael Connelly figura entre os autores norte-americanos mais consagrados que existem e depois de assisti-lo participar de alguns episódios de Castle e ler Chamada Perdida, posso entender o porquê. O ritmo ligeiro e a escrita convidativa para ir descobrindo o desenrolar da história, despertam um interesse clássico aos que adoram uma literatura policial ou de ação.

A história já começa intrigante e as motivações do protagonista em desvendar um mistério que a priori não parece ter nada de especial ficam na minha cabeça. Henry Pierce possui o nº de telefone que anteriormente pertenceu a uma garota de programa – Lilly Quinlan – que, sem vestígio, sumiu. Pierce está à frente de um projeto que pode mudar o mundo da tecnologia, é um profissional dedicado demais e já teve sua vida tumultuada por isso (seu relacionamento acabou por ele dar pouca atenção à quem mais precisava), que se vê infiltrando em um submundo que desconhece, mas que o atrai, deixando-o com uma pulga atrás da orelha. Ele não sabe porque continua, mas mesmo assim permanece querendo desvendar o que lhe intriga.

Quanto mais vai descobrindo sobre as pessoas envolvidas e o que pode ter ocorrido, a lembrança do assassinato de sua irmã pode estar em sua mente como principal fator motivacional para descobrir o paradeiro ou o que realmente aconteceu com a moça, mas essa procura começa a trazer problemas, ainda mais quando a pessoa que está por trás da “vida de acompanhantes” de algumas garotas, vai até seu apartamento e dá um aviso, fisicamente notável e quase o mata.

Pierce tem sua vida transtornada completamente. Passa a ser suspeito de assassinato e começa a esconder a verdade de todos, principalmente daqueles em quem mais confiava. Mas mentir para os mais próximos não passa a ser o maior problema, desconfiar de que eles possam estar por trás de todo o problema é o que mais o atormenta e ele então segue tomando atitudes que pode destruir de vez seus relacionamentos ou desmascarar o responsável pelo tormento que agora o aflige.

A cada passo dado, mais evidências asseguram que sua vida pode ser destruída e que tudo irá incriminá-lo, mas Pierce tenta refletir sobre tudo que aconteceu até então e direciona seus pensamentos para desvendar o que pode ter ocasionado tudo. Analisa o porque está no centro do furacão e questiona se há razões para tal pesadelo. Qual a causa e não somente a consequência do que está acontecendo? E isso o faz concluir que seu trabalho, que pouquíssimas pessoas conhecem, é o ponto de ignição de todo o sofrimento.

A literatura policial é uma vertente que precisa ser muito bem conduzida por situações que vão da ação ao suspense para encontrar os responsáveis, pelo menos para mim e é o que me empolga a ler. Quando tudo é muito óbvio, o livro perde muito do clímax e clímax é item essencial para esse tipo de literatura. Connelly conduz tudo muito bem e ele consegue acrescentar informações e criar momentos que valorizam por demais toda a estrutura do livro e no caso de Chamada Perdida isso vai seguindo de forma linear, sem grandes reviravoltas ou mudanças bruscas, mas mesmo assim é uma leitura que vale muito a pena para quem gosta do gênero.

 

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