Resenha – Circo Invisível
por Gabriel
em 23/05/15

Nota:

Circo Invisível

 

Circo Invisível é o romance de estréia de Jennifer Egan, autora de mais 3 obras do gênero. O livro é de 1995 e trata de uma época entre os anos 70 e 80. Em linhas gerais, o roteiro gira em torno da busca de Phoebe, uma garota americana que viaja à Europa para descobrir o que aconteceu com sua irmã, Faith, que supostamente se suicidou 8 anos atrás.

A viagem de Phoebe não seria tão impressionante se não fosse o aguçado talento da autora. Egan é exímia contadora de histórias, apresentando uma habilidade invejável de descrição de momentos através das sensações dos envolvidos. Como a personagem principal se dedica por boa parte da obra às suas memórias sobre o pai e a irmã, a autora usa e abusa desse tipo de recurso, com longas descrições das sensações e percepções da garota.

Este livro me acompanhou durante uma viagem de 15 dias aos países andinos (Peru, Bolívia e Chile) e foi uma das melhores companhias possíveis. Além de ser curto e de fácil leitura, a jornada de Phoebe é antes de mais nada uma jornada de autoconhecimento; uma garota de 18 anos que não sabe bem o seu lugar no mundo, aprisionada entre o protagonismo da irmã já morta e as belas lembranças de seu idealizado pai. Sua busca é a de muitas pessoas, além de retratar uma bela visão sobre o luto, pontuada pela frieza da realidade.

Egan também lida muito bem com o subtexto escolhido: o movimento hippie e as ilusões – e realidades – que o compunham, retratadas com muita habilidade como o próprio contexto da história da personagem principal. A morte de Faith é contemporânea à morte dos ideais que dominaram a década de 60, imediatamente seguida de outros melancólicos finais, culminando em viciados que tentam ganhar dinheiro para mais uma dose ou enganar meninas incautas para estupra-las. Tudo isso é abordado pela autora sem nunca roubar o espaço da busca pessoal de Phoebe, o que só mostra a qualidade do texto de Jennifer Egan.

A impressão ao terminar este livro é de ter conhecido Phoebe O’Connor pessoalmente e te-la acompanhado em sua viagem. A autora, ao optar por se concentrar nas sensações e lembranças da personagem, acerta na dose e constrói uma história memorável. Cheguei ao final do livro querendo que Egan se dedicasse a descrever quantas situações ela conseguisse, sempre com essa qualidade de descrição que faz o leitor de Circo Invisível percorrer o caminho do luto com a personagem principal. Excelente livro.

 

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O livro foi enviado pela editora. 

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