Resenha – Com sangue
por Ragner
em 30/12/20

Nota:

Mais um livro de contos do mestre supremo do suspense e terror. Porém digo a vocês que tal livro foi saboreado de maneira diferente dos outros que já li dele e até mesmo do outro livro de contos que tive a oportunidade de ler. Com sangue é meu 2º dessa seara do contista King e vou me aprofundar mais nesse seguimento em 2021. Aguardem e confiem!

Stephen King é um escritor com poder de criação absurda! Ao ler “Com sangue”, sinceramente, considerei que poderia ler algo já costumeiro, que não seria tão surpreendido, pois o sobrenatural já era algo que imaginava, mas King sempre consegue ir além ao construir narrativas que vão ter em sua história elementos que são substancialmente naturais, de uma vida normal, e que pode nos fazer questionar se algo fantástico pode mesmo acontecer de fato, como se fosse deveras possível.

Com sangue é um livro com 4 contos com personagens que dão vazão à diferentes tipos de enredo que King já versou. O que já é excelente por si só e ainda tem mais, pois no 3º conto – o que dá nome ao livro – temos Holly Gibney, uma das protagonistas da trilogia Mr. Mercedes (já resenhados aqui: Mr Mercedes, Achados e perdidos, O último turno) e de Outsider. E já aproveitando a deixa, começo por esse e apenas digo que há um link interessante com “Outsider” e o sobrenatural está de volta. Fica a dica e que fiquem curiosos.

O 1º conto é “O telefone do Sr. Harrigan” que envolve uma criança – Craig – e um velho – Sr. Harrigan – e a amizade entre os dois. Craig é contratado para ler para o Sr. Harrigan e realizar pequenos serviços domésticos. Com o tempo o relacionamento fugaz passa para algo mais próximo, cresce para uma amizade e o que parece clichê em histórias assim, com a pitada King o sobrenatural acontece. Com isso tudo fica muito maior e transcende o óbvio.

O 2º conto é “A vida de Chuck” com uma narrativa de trás para frente, desde acontecimentos relacionados ao fim dos tempos, onde o Chuck conta sobre sua vida, desenvolvendo a história voltando no tempo, desde sua fase adulta até chegar a sua fase criança. Aqui temos muito de realidade ambiental e problemas sociais, com tentativas de pessoas que desejam fazer as pazes com seus equívocos.

O último conto é “Rato” (que só em uma segunda observada, reparei de fato na capa) sobre um escritor que passa pelos devidos bloqueios criativos (inerentes a todos desse universo autoral) e que decide se isolar para concretizar uma possível ideia, que pode lhe render uma boa história, mas as coisas não são tão fáceis assim com o tempo e nada em King é mesmo simples. Em “Rato” temos o contato com o fantástico que se torna macabro por causa de um pacto, com uma figura bastante peculiar. Genialidade King total.

Confesso que li esse livro devagar, poderia ter sido muito mais acelerado (os contos chama atenção), mas tudo bem o que importa de verdade aqui é que indico muito mais esse livro de contos do mestre, já de olho nos outros.

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Livro enviado pela editora

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