Resenha – Como ser mulher
por Patricia
em 14/12/12

Nota:

Logo de cara o “Como ser mulher” de Caitlin Moran já avisa que não deve ser levado a ferro e fogo. “Um divertido manifesto feminino” deve ser intepretado mais como isso do que como um manifesto feminista – até porque, nem sempre as duas coisas andam juntas (e já falamos um livro definitivamente feminsta aqui). Ainda assim, na introdução – em que Caitlin conta um pouco sobre usa infância para dar o tom de suas memórias – encontramos vestígios de uma mulher pensante (amostra grátis a seguir):

“Mostre a uma menina uma heroína pioneira – Sylvia Plath, Dorothy Parker, Frida Kahlo – e estará mostrando quase sempre uma mulher que acabou sendo esmagada. Seus triunfos consquistados com tanta dificuldade podem ser totalmente negados se você viver em um clima em que suas vitórias são vistas como ameaçadoras, incorretas ou de mau gosto”

Mas não é por esse caminho que o livro pretende te levar. No capítulo sobre sexo e mulher – Moran explora a sexualidade feminina de uma maneira rara – através dos filmes pornôs. Ela abre um debate sobre porque os filmes pornôs sempre têm um viés masculino e menos feminino – algo que já vem mudando. A autora fala sobre o assunto de forma aberta, sem preconceitos e sem crises de timidez. É refrescante ler uma mulher ser tão sincera sobre um assunto que tipicamente é considerado tão masculino (e estamos falando de filmes pornôs não literatura semi pornô nem nada do gênero).

E quer sinceridade? Que tal isso?

“Não dá para acreditar que chegamos ao ponto em que basicamente precisamos pagar para ter uma xana. Estão nos fazendo pagar pela manutenção e conservação da nossa xaninha, como se fosse um jardim comunitário. É um imposto escondido. O ICMS da xana. É dinheiro que deveríamos estar gastando com contas de luz, em queijos e em boinas. Em vez disso, nós o estamos desperdiçando deixando nossos chihuahuas parecidos com um peito de frango de supermercado. Malditos sejam os bastiões da pornografia que se infiltraram na minha calcinha. Malditos!”

Enquanto eu tentava rir com calma, esse trecho acabou com essa tentativa.

O livro é permeado de referências da cultura pop – com um foco especial na Inglaterra (país de origem de Moran). Então há uma leve possibilidade de você se sentir perdido em alguns momentos, mas a interpretação é válida e o desconhecimento dessas referêcias não atrapalham.

Moran conta como se descobriu uma feminista: lendo livros de mulheres que sempre estiveram à frente do seu tempo – o que realmente prova que livros podem, de fato, ajudar a moldar uma pessoa e expandir suas limitações (os livros certos na hora certa têm um enorme impacto). Mas nem tudo são flores e risadas feministas: Moran também nos conta como cresceu em uma família grande, em extrema pobreza e obesa. Ao iniciar sua carreira como jornalista em uma revista sobre música, ela também experimentou o machismo pela primeira vez – para conseguir a matéria de capa, seu chefe pediu que ela “sentasse em seu colo”.

Por estar acima do peso, ela se jogou no colo dele, fazendo com que ele perdesse e o ar e a sensibilidade das pernas. Conseguiu a matéria da capa.

No geral, Moran comenta a maioria dos assuntos que as feministas querem discutir ora de maneira séria, ora de maneira engraçado e, por isso, o livro é leve e não se torna enfadonho. Por isso, acho que homens também podem se divertir lendo o livro e, talvez, aprendam alguma coisa. Não esperem uma super lição de feminismo e comentários extremamente fora da caixa. As análises feministas de Moran são boas mas são pessoais. Talvez outras mulheres na mesma situação, veriam as coisas de maneiras diferentes.

Ainda assim, indico o livro para iniciantes nos temas femininos. Pode ser uma boa porta de entrada para mais mulheres e homens que queiram acessar seu lado feminista aos poucos. 😉

Se quiser ler mais, dá uma olhada aqui.

 

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