Resenha – Contos de Meigan – A fúria dos Cártagos
por Patricia
em 03/06/13

Nota:

images

Contos de Meigan entrou no meu radar por causa de uma resenha da Gleice Couto no Murmúrios Pessoais (blog literário super recomendado, aliás). Comprei o livro e entrei na roda.

Um livro de fantasia bem escrito te dá a oportunidade de criar um filme na sua cabeça. Na verdade, qualquer livro bem escrito pode fazer isso mas aqueles que criam mundos novos, possibilitam um passo a mais porque é possível deixar a criatividade solta e imaginar coisas que não existem no mundinho que conhecemos. Por outro lado, quando um livro cria mundos novos, pode se perder em descrições infinitas e acabar alienando os leitores. Esse é um equilíbrio difícil de encontrar.

O Prólogo de Contos de Meigan nos situa no mundo que vamos entrar – ele é longo e descreve tudo o que aconteceu desde sempre até o momento em que o livro começa a contar a história de Maya. Por conter muitos componentes, ele exige muita atenção e isso pode atrasar um pouco a leitura. Pessoalmente, quando percebo que ali está um capítulo que vai me dar muita informação, leio mais devagar para não perder os detalhes que podem influenciar a história mais para frente.

Maya fugiu de Meigan para viver na Terra do humanos, mas decide que está na hora de voltar para casa e enfrentar o problema: ela e a mãe não se dão nada bem – sua mãe é a Shyrat (uma espécie de Rainha) de Meigan e, por causa de suas obrigações, foi um pouco ausente e Maya sempre se ressentiu desse fato. Mas agora chega. Ela precisa resolver isso e seguir sua vida.

decidir

Só que nada sai como planejado.

Ao retornar para sua terra, Maya descobre que Meigan está sob ataque furioso dos cártagos (wink, wink) e está sofrendo para se defender. Os poderosos guardiões dos sete portões não conseguiram, misteriosamente, impedir o ataque e os cártagos conseguiram chegar à capital e invadiram a mansão da Shyrat.

Começa, então, uma jornada complicada e cheia de espinhos para Maya. Ela deve assumir sua posição em Meigan mas mal consegue entender e assimilar tudo o que aconteceu. Imatura, Maya acredita que fugir ainda é o melhor remédio e vai aprender na marra que nem sempre essa opção dá certo.

A leitura desse livro flui tão bem que você mal sente o peso das mais de 600 páginas. A descrição de Meigan, dos poderes dos magis, dos guardiões e de tudo que acontece é detalhado no nível certo para não ser maçante. As pontas são bem amarradas para nos entregar um enredo completo e bem desenvolvido. Nenhum componente parece ser forçado.

No meio de tudo o que acontece quase sem parar, encontramos a quebra de dogmas, o questionamento do padrão conhecido e muita ação. Então é um livro que pode te divertir e fazer pensar ao mesmo tempo. Esses são sempre os melhores porque…né….a gente sabe que tem livros por aí que preferem que você não pense. Em nada. Nunca.

images

Maya é uma boa protagonista. Ela está aprendendo, se tornando mulher e assumindo a bronca do que isso significa. Ela não tem tempo de ser vítima porque ela tem responsabilidades com seu povo e seu desenvolvimento é rápido (se é que se pode chamar 600 páginas de rápido) e profundo. Sinto que muitos autores pecam nesse sentido. Principalmente quando estamos falando de uma série.

Acontece muito dos autores deixarem para nos mostrar que suas personagens principais são realmente interessantes no segundo ou vigésimo livro e você tem que prender a outros componentes se quiser continuar lendo a história. Vejo muito isso nesse mundo YA de séries que não param de aparecer. Além disso, vejo também muitas personagens femininas no centro da trama mas que são escritas de maneira superficial e quase insuportável: são mimadas, chatinhas, dependentes e tudo o que parecem querer na vida é encontrar o homem perfeito ou se tornarem perfeitas.

Isso não existe em Meigan e, para mim, o desenvolvimento de Sebastian, Seth e Maya foi feito de maneira orgânica e realmente nos dá um grupo de pessoas interessantes. Roberta e Oriana são realmente boas escritoras e, por mais que eu não consiga imaginar o processo que deve ser escrever um livro desse com outra pessoa, em momento nenhum percebemos estilos diferentes ou alterações bruscas de enredo, elas se complementam. Claramente, o planejamento funcionou e o resultado é simplesmente excepcional.

Postado em: Resenhas
Tags: , , ,

Nenhum comentário em “Resenha – Contos de Meigan – A fúria dos Cártagos”


 

Comentar