Resenha de Quadrinho – Astronauta: Magnetar
por Thiago
em 04/06/14

Nota:

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Hoje fecho aqui a primeira leva de graphic novels da Turma da Mônica que comecei ao falar de Laços em uma participação especial no site, antes de ser um colaborador fixo. Porém a última resenha é sobre a primeira revista, lançada em 2012.

“Astronauta: Magnetar”, entre a onda de textos young adult é a mais madura, para jovens dispostos a filosofar, viajando no espaço com o Astronauta.

A revista, tanto história quanto arte, foi feita por Danilo Beyruth, publicitário e quadrinista conhecido pelas hqs “Necronauta” e “Bando de Bois”. De forma brilhante Danilo faz uma ode a solidão e um convite para repensarmos nossa vida.

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O Astronauta de Maurício de Souza já era o personagem que o pai da Mônica utilizava quando queria falara algo mais profundo, aqui Danilo segue a mesma linha mas sem se afastar das raízes do mesmo, apenas as explora mais, como a relação do nosso “herói” com seu avô e também com Ritinha.

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Antes de termos um astronauta no espaço temos aqui uma boa construção da vida, numa relação de contingência do destino e de escolhas que guiam o protagonista durante sua vida. Daí eu penso o seguinte, hoje, olhando pra mim, pra pessoa que me tornei, pro lugar em que me encontro, como foi que eu cheguei aqui? Parei pra pensar nisso quando o Astronauta se viu perdido no espaço. Após o desastre que foi sua missão, as tentativas de voltar a terra foram muitas, mas nada deu certo. Ele precisou então aprender a conviver com a solidão, com a espera, o arrependimento e com seu eu, seus pensamentos e seu passado, ou seja, seu mundo, suas referências, suas experiências, suas saudades.

Perdido no espaço, sozinho, em meio ao desastre, no completo desconhecido. Sim, as vezes nos sentimos mais ou menos assim na vida, mesmo entre um mundo de pessoas. As vezes temos essa sensação na escola, no trabalho, na família, entre amigos ou até mesmo andando na rua, voltando pra casa dentro do ônibus lotado num dia chuvoso, cabisbaixo, ruminando pensamentos, mas só, degustando a solidão.

Claro que aqui, em Magnetar, temos a solidão levada ao extremo, um ser humano literalmente perdido no espaço. Aristóteles nos diz que o ser humano é um ser social, será por isso que nos sentimos muitas vezes sozinhos? Será que esse ser social não é uma mera questão de sobrevivência ou educação, para aprendermos a humanidade, para sermos humanos, nas virtudes e nos excessos? As vezes penso que é mais que isso e que o ser social é um ser de sentimentos, de conceitos abstratos, que busca no outro o seu próprio eu e se encontra no aconchego dos abraços.

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