Resenha De Quadrinho – Marcelino Pedregulho
por Ragner
em 07/10/14

Nota:

Marcelino Pedregulho

 

Gosto bastante de alguns livros recheados de desenhos, até mesmo infantis, que contam histórias recheadas de ensinamentos. Até hoje. Sou entusiasta em traços minimalistas, que conseguem representar cenários bem amplos e que podem conduzir a imaginação do leitor a lugares grandiosos. E como já estamos a poucos dias dos dia das crianças, falarei sobre um livrinho que além de bem gracinha, e infantil, contêm todos esses pontos que estou enumerando.

Com traços singelos, especificamente objetivos em relação aos personagens, cercados por grandes espaços brancos esse pequenino livro, conta a história de vida de dois amiguinhos que eram inseparáveis e que ensinam o quanto as diferenças podem unir mais do que igualdades.

Marcelinho Pedregulho é uma criança que ruborizava do nada. Do nada ficava vermelho, vermelhão igual um pimentão. Enquanto outras crianças ruborizavam quando levavam bronca, ficavam com vergonha ou faziam coisa errada, Pedregulho enrubescia sem qualquer motivo. E quando “fadas” imaginativas da floresta ou médicos reais de grandes metrópoles não conseguiram curá-lo, nosso pequeno Marcelo continuava a ficar vermelho, menos quando deveria de fato. Com o tempo ele foi se isolando, não se sentindo bem enquanto os outros comentavam demais seu estado vermelhão e com isso preferia brincar sozinho. Isso não o deixava infeliz, mas o mantinha em constante curiosidade sobre seu estado. Até que um dia, voltando para casa, escutou um espirro e seguindo o som incessante de tal barulho, veio a conhecer um novo vizinho, Renê Rocha, que não se resfriava, mas que espirrava constantemente, assim, do nada.

 

Marcelino Pedregulho (1)

 

Renê Rocha era um artista, violinista, inteligente e encantador, mas era acometido por espirros a todo momento, mesmo nunca tendo ficado resfriado. Tais espirros atrapalhavam demais sua vida, principalmente durante apresentações musicais e isso o fez gostar mais de ficar sozinho, também. Renê, também, não encontrou cura com o Mago Bom do Riacho ou com um grande médico e nem por isso ele era infeliz. Ao encontrar com Pedregulho, Rocha percebeu que o novo amigo ruborizava e ambos passaram um tempão conversando. Ambos ficaram bem contentes ao se encontrarem e uma grande amizade foi sendo construída, eram inseparáveis. Enquanto Renê tocava violino para Macelino, Marcelino aconselhava Renê nos esportes. Aonde um ia, logo perguntava pelo amigo e nenhum se cansava de reencontrar o outro.

As brincadeiras ficaram mais divertidas, a amizade foi crescendo, mas um dia Renê Rocha se mudou e a vida de Marcelino Pedregulho ficou um tanto vazia. Outros amigos aparecerem, cada um com sua particularidade e intensidade. Mas os meses se passaram e os anos também. Pedregulho continuava ruborizar, menos do que antes, e se tornou um adulto atarefado, quase sem tempo para mais nada, vivendo em uma grande cidade e correndo como todos a sua volta até que um dia ouviu alguém espirrando em alto e bom som. Riu como todos e imaginou o resfriado da pessoa que espirrava, até que conseguiu ver quem era o “gripado” e os amigos se reencontraram. Contaram suas histórias, brincaram como crianças, se viam frequentemente e seus filhos brincavam entre si.

Se eu quisesse que todo mundo ficasse triste, contaria que os dois amigos, presos às suas obrigações, não se reviam mais. De fato, é o que acontece na maioria das vezes. A gente reencontra um amigo, fica supercontente, faz planos. E depois, a gente não se vê mais. Porque não temos tempo, porque moramos longe um do outro, porque temos um monte de trabalho. Por mil outros motivos. Mas Marcelinho e Renê se reviram.

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1 Comentário em “Resenha De Quadrinho – Marcelino Pedregulho”


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marcelojunior em 18.05.2015 às 20:10 Responder

muito bom


 

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