Resenha de Quadrinhos – A Liga Extraordinária Século: 1969
por Gabriel
em 06/09/14

Nota:

Liga Extraordinária Século 1969

Chegamos ao quarto volume da Liga Extraordinária de Alan Moore, que é também o segundo volume da série Século. Para quem ainda não viu, já resenhei os volumes anteriores aqui (1, 2 e 3).

Nesta HQ os heróis da Liga invadem os anos 60 e todo o imaginário hippie. Os quadrinhos seguem se adaptando à época retratada, portanto vemos muitas cores e psicodelia ao invés do escuro cenário steampunk dos primeiros volumes. O traço de O’Neill, no entanto, já não parece mais o mesmo. De fato, as grandes cenas panorâmicas altamente detalhadas já não estão lá e alguns dos quadrinhos parecem desenhados com certo desleixo. Mina Murray é agora desenhada como uma mulher extremamente curvilínea, diferente da que vimos no primeiro volume, e isso começa a tirar o charme da Liga.

O roteiro de Moore segue a mesma linha: os heróis vão atrás do anticristo criado por Oliver Haddo, um personagem criado por Somerset Maugham em “The Magician”. A Liga é formada por Mina Murray (do Drácula de Bram Stoker), Allan Quatermain (das Minas do Rei Salomão) e Orlando (de Virginia Woolf), os mesmos personagens principais da edição anterior. O triângulo amoroso entre os personagens fica ainda mais complexo e participa como plano de fundo de toda a HQ; a consequência disso é uma certa infantilização dos personagens, que são seres imortais com dezenas ou centenas de anos e continuam a ter problemas de relacionamento simplistas.

Moore continua recheando de referências esse novo volume da série. Porém, pela época retratada ser agora muito próxima à época contemporânea, os personagens em sua maioria não podem ser retratados com o nome correto; e isso tira muito do brilho e da graça de ver as referências ao longo do texto. Apesar disso, é possível reconhecer os Rolling Stones (como a banda Purple Orchestra), com seu vocalista Terner (nome baseado em um personagem que Mick Jagger representa em um filme de 1970). As outras referências usadas são todas obscuras demais e britânicas demais, continuando a tendência que já se apresentava no volume anterior. Elas podem ser conferidas aqui (em inglês), para quem tiver curiosidade.

A única referência mais empolgante é a do professor que ajuda Mina Murray enquanto ela tem uma viagem de ácido no show da Purple Orchestra. Esta é chave para o final da série e não vale a pena ser revelada aqui, fica pra próxima.

Este volume da Liga é apenas para os desafortunados que leram o anterior; infelizmente, terminei este volume com a impressão de que os autores poderiam ter ficado nos dois primeiros, e sem entender muito bem o que os fez criar esta série Século, já que tudo nela parece ser feito com menos esmero (o roteiro e a arte parecem muito mais preguiçosos; as referências por sua vez são totalmente obscuras). Se só leu os dois primeiros volumes da Liga, fique com eles e guarde as boas lembranças.

Postado em: Quadrinhos
Tags: , ,

Nenhum comentário em “Resenha de Quadrinhos – A Liga Extraordinária Século: 1969”


 

Comentar