Resenha de Quadrinhos – A Liga Extraordinária Século: 2009
por Gabriel
em 13/09/14

Nota:

A Liga Extraordinária Século 2009

Chegamos ao fim da Liga Extraordinária! Alan Moore que me desculpe, mas não pude esconder certa satisfação ao finalmente chegar ao fim desta série. Se o primeiro e o segundo volume são muito bons em praticamente tudo o que se espera de uma HQ (roteiro, argumento, arte, etc.), a série “Século”, passada em 1910 e 1969, destoa totalmente. E seu desfecho, 2009, é também bastante constrangedor.

O grande atrativo da Liga Extraordinária continua sendo suas referências diversas a itens culturais. Se em 1969 já havia uma perda clara do brilho deste atrativo ao ter que camuflar as referências (devido aos direitos autorais), em 2009 este problema é ainda maior. Mas seria bom se esse fosse o único defeito desta obra.

A Liga continua formada por personagens que participaram das edições anteriores: Mina Murray, do Drácula de Bram Stoker; Allan Quatermain, das Minas do Rei Salomão, e Orlando, de Virginia Woolf; acompanhados pelo Duque Próspero, de William Shakespeare. A edição se inicia com um grande apanhado do que teriam sido outros heróis que viveram durante o século 20. Além destes, logo nas primeiras páginas somos apresentados ao Coronel Cuckoo, outro imortal baseado em uma obra de Gerald Kersh. Logo depois, vemos M e dois sucessores de James Bond, em uma clara referência aos filmes de 007. Mas a referência mais relevante e talvez a única boa sacada da série Século é guardada para páginas mais à frente.

Guiado pelo Duque Próspero, Orlando descobre onde Mina está internada e a resgata. Eles encontram Quatermain nas ruas, vivendo como um viciado; ele não os acompanha. Orlando e Mina retomam seu romance (completamente irrelevante ao roteiro, como já havia notado nas resenhas anteriores) enquanto procuram impedir Oliver Haddo de criar seu anticristo (a mesma trama das duas edições anteriores). Como parte desta busca, eles voltam a conversar com Oliver Norton, seu guia que vive permanentemente preso à cidade de Londres. Norton os indica a necessidade de encontrar uma escola invisível e as leva a uma estação de metrô.

A partir deste trecho, a HQ se inunda de referências descaradas a Harry Potter. Há de se admitir que a trama que Moore criou para relacionar Potter (e seu universo) ao mundo da Liga é bem traçada; porém, o roteiro apela a diversos recursos fracos, culminando com uma aparição de Mary Poppins para salvar o mundo. Juro para vocês.

Junte a este roteiro peculiar o fato de que a arte de O’Neill parece ter ficado parada na segunda HQ, e você tem o cenário completo. Se até o segundo volume da Liga nós víamos Kevin O’Neill desenhar paisagens exuberantes, complexas cenas de batalha e imagens de duas páginas de uma Londres fascinante e suja, agora vemos traços preguiçosos e uma arte que passaria, se não soubéssemos do que ele é capaz. Para completar, temos momentos de pura vergonha alheia, como o momento em que Harry Potter protagoniza uma cena de Robert Crumb e põe seu órgão genital para fora de suas calças.

A Liga Extraordinária poderia ter ficado sem esses três últimos volumes. Se a sacada para juntar o roteiro ao de J. K. Rowling foi bem traçada, ainda assim não salva um roteiro bagunçado e que recorre o tempo todo a deuses e salvadores vindos de qualquer outro lugar. Quanto a usar os elementos do famoso menino bruxo, fiquem com O Inescrito ou Livros da Magia (que veio primeiro). Boa leitura!

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1 Comentário em “Resenha de Quadrinhos – A Liga Extraordinária Século: 2009”


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Periguette Love em 29.08.2016 às 13:33 Responder

Mimimimi, fiquei com vergonhinha do Moore! Mimimimi, não entendi essa última história! Mimimimi, falaram mal do Harry Porter, meu herói! Mimimimi!


 

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