Resenha de Quadrinhos – A Rica Indecente
por Gabriel
em 14/12/13

Nota:

A Rica IndecenteComeço essa resenha com uma dose cavalar de sinceridade: “indecente” mesmo é um cara como Brian Azzarello, que tem um nome a zelar no meio dos quadrinhos, publicar uma HQ como esta. Sério.

Este é mais um dos títulos da série Vertigo Crime, série esta de onde já resenhei mais alguns outros volumes. Os quadrinhos publicados sob este “selo dentro de outro selo” não são exatamente os melhores que já li em minha vida, mas mantinham um nível de qualidade digno de ostentar o nome Vertigo, sendo que alguns realmente surpreendiam pela qualidade.

A arte desta HQ é em preto e branco, como nos outros volumes da série. Porém, a capa não dá a medida da qualidade da arte interna, que é preguiçosa em boa parte da HQ. O que quero dizer com “preguiçosa” é que o desenhista simplesmente não se decide entre personagens com medidas realistas e proporções humanas ou personagens caricatos, com cabeças gigantes e alturas irreais. E isso acontece durante toda a estória, empobrecendo um roteiro que já não se ajuda.

A Rica Indecente conta a estória de um ex-jogador de futebol americano. Este começo já me causou um déjà vu, ao lembrar de O Executor, outro volume da série Vertigo Crime que já resenhei por aqui. Mas segui em frente, para descobrir que o rapaz havia se tornado vendedor de carros e convivia com uma vida fracassada e amigos que o destratavam. Uma reviravolta o coloca em contato com a vida noturna dos ricos, ao se tornar guarda-costas de uma moça. Daí para frente o roteiro se divide entre óbvio e absurdo. Por exemplo: o guarda-costas e a sua protegida têm um caso (óbvio, em roteiros). O rapaz encontra a todo tempo nas ruas mais obscuras da cidade os mesmos playboys com quem convive nas boates de ricos, andando como se ali fosse seu quintal (absurdo, na vida real).

O cenário, portanto, é de uma HQ que combina um roteiro permeado de absurdos, sequências desconexas e obviedades a uma arte preguiçosa que muda a anatomia humana entre um quadrinho e outro. Não gosto de condenar, mas nesse caso acho que lhes faço um serviço, amigos. Fiquem longe da rica indecente.

 

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