Resenha De Quadrinhos – Assim Falou Zaratustra
por Ragner
em 20/01/15

Nota:

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Nietzsche é um filósofo já resenhado aqui outras vezes, com Ecce Homo e O Anticristo e discutido em um livro do filósofo Oswaldo Giacóia Junior. Temos essas três obras bem comentadas e contemplo que mais e mais livros ainda circularão por aqui. Mas nosso querido alemão não estará sozinho, mais e mais livros de filosofia integrarão nosso time literário. Aguardem.

Ganhei esse mangá pocket da nossa querida Patrícia e gostei um bocado do resultado. Muito nele não tem relação com o livro, o que pode ser óbvio, a linguagem é deveras diferente, mas quando vamos lendo trechos que são bem dedicados à filosofia, podemos acompanhar muito bem todo pensamento de Nietzsche. A icônica frase “Deus está morto”, os pensamentos sobre o eterno retorno e relances sobre o amor a vida (Amor Fati) estão muito bem explicados e discutidos aqui e isso me chamou muita atenção. Gostei mesmo de como tudo isso foi trabalhado, da maneira com que os desenhos contribuíram para as explicações da filosofia inserida na história.

Algo que gosto bastante de mangás são os desenhos caracteristicamente exagerados e caricatos, que expressam muito bem emoções e sentimentos. No presente caso ajuda ainda também na explicação corporal de uma ideia. E como as ideias aqui são fundamentais para a filosofia nietzscheana, o argumento e as ilustrações parecem bem dispostos a retratar o pensamento por trás de um dos mais basilares livros de Nietzsche.

Deus está morto. Deus é do homem…seu delírio…deixou de ser existência para se tornar objeto de fé. Acreditem no que digo, foram o cansaço causado pela dúvida e pela incerteza…e o anseio causado pela felicidade…que fabricaram os deuses e todo o universo que os envolve. Neste mundo não há diabo nem inferno…só o que há é o ego.

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Zaratustra aqui é um jovem rapaz que passa a infância revoltado com quaisquer características que evidenciam uma menoridade, características que parecem ser fracas. Zara (como é chamado) critica muito o irmão e todos aqueles que não são enérgicos e questionadores como ele. Depois de descobrir que ele é o filho adotado (ele zombava o irmão de ser) e que uma bela e intrigante mulher está interessada na vida dele, Zara sai de casa e passa a defender que Deus está morto e que a vida precisa de ser vivida sem qualquer interferência divina. A vida tem seu valor sendo vivida, não contemplada como algo além do que está na nossa frente. E depois de aprender sobre o eterno retorno (ensinado por Salomé, a bela mulher), Zara entende que a vida vai se repetir, até que ele possa superar a si mesmo e se tornar o Super-Homem, o Übermensch (Além do homem).

O mangá acerta bem nisso, acerta em apresentar questionamentos que por linhas e mais linhas podem ser complicadas de serem entendidas lidas em prosa, mas a narrativa em quadrinhos ajuda demais a quem quer iniciar um debate filosófico.

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