Resenha De Quadrinhos – Aya De Yopougon
por Ragner
em 16/04/13

Nota:

aya

Filmes retratando a África, reportagens sobre os países africanos e mesmo livros sobre a realidade do povo do continente negro já fizeram parte, ainda fazem, do meu interesse. Acostumado a ler, ouvir e assistir apenas informações do quanto é sofrido o povo que já passou por escravidão e diversas guerras civís, me deparei com uma Graphic Novel que tenta versar sobre assuntos diferentes. Aya não conta nada relacionado ao tráfico de escravos, racismo, rebeldes rivais, fome, pobreza, doenças ou pedras preciosas para exportação. A história aqui nos conta a vida de jovens que sonham com futuros diferenciados e que vivem além de tudo isso que apontei.

De cara já somos apresentados aos personagens que irão nos contar as histórias que seguirão. 3 famílias, com 3 garotas adolescentes como personagens principais, mas com uma protagonista em particular. 3 garotas com gostos e vontades normais para a idade, 3 moças que vivem suas vidas como desejam e que vão colhendo os resultados de suas ações da forma que melhor conseguem. E a protagonista vai se diferenciando das outras duas por desejar o que as demais nem sonhavam e por não se interessar pelo que as outras estão acostumadas a cobiçar.

Aya tem duas grandes amigas que gostam de diversão, que adoram ir aos “maquis” – restaurantes barato ao ar livre onde se pode dançar – e sempre estão em busca de rapazes que possam gastar com elas, os chamados “genitôs” – rapazes com dinheiro para torrar -. A vida das duas passam por descoberta do sexo e da vida adulta sem responsabilidades, enquanto Aya parece mais inclinada a correr atrás do que possui significados mais lúcidos e prósperos. Enquanto ela não quer “acabar na série C” – Cabelo, Costura e Caça ao marido – Bintou e Adjoua não se importam em acabar como outras mulheres da região.

O cotidiano das três em Yopougon é bem retratado e descarta aquela visão de que o povo africano só sofre. Aqui não é ilustrado o estereótipo de “números monstruosos, tristes estatísticas e repetidos golpes de Estado“, ao contrário, somos introduzidos em uma África com “garotas bonitas e espertas que se divertem à noite no Ça va chauffer ou no Secouez-vous e se deixam beijar no Hotel das Mil Estrelas, enquanto outras ficam em casa para se tornarem médicas.” Como está bem explicado no prefácio: “Em Yopougon, na África, na Costa do Marfim, como em todos os lugares (mais que em outros lugares?), as pessoas brigam, se reconciliam, riem, choram, dançam, procuram uma solução para as coisas e oferecem nescafé aos genitôs.

Esse é o 1º volume que conta a vida no bairro de Yopougon, ou “Yop City” (denominado pelos jovens) e nos deparamos com questões como adultério, “Gazelas” (garota bonita) interesseiras, divisão de classes sociais, gravidez precoce, etc. Tudo muito explícito. Até como se fosse bastante comum, deixando claro como se fosse parte do cotidiano. Algo normal. Os desenhos são despretensioso, sem muito cuidado, até um pouco desleixado, mas os quadrinhos são bons de se acompanhar.

A HQ mostra um outro olhar sobre a África e especificamente trabalha as pessoas, o modo de vida e suas condições de pensamento. No final ainda existe um glossário com as expressões utilizadas ao longo da história e algumas receitas de bebidas e comidas comentadas. Recomendo demais.

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3 Comentários em “Resenha De Quadrinhos – Aya De Yopougon”


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Jess em 09.03.2015 às 20:45 Responder

Eu vi o filme, e realmente fiquei encantada, e agora descubro que é um quadrinho. melhor ainda Hehehe

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Cesar em 08.04.2015 às 22:36 Responder

Li os volumes 1 e 2 e gostei muito. Porém, acredito eu, a história deve ter mais volumes que ainda não foram lançados no Brasil. Alguém sabe quantos volumes tem, no total, Aya de Yopougon?

Ragner
Ragner em 08.04.2015 às 23:35 Responder

Valeu pelo comentário. Só li o 1º ainda e gostei bastante. Pelo que vi há outros números, mas ao todo não sei quantos.


 

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