Resenha de quadrinhos – Batman/Cidade Castigada
por Ragner
em 21/05/13

Nota:

3456

 

…No entanto, Deus não perde tempo chorando por Gotham.

Cidade Castigada é um conto aleatório, dentre muitos outros, que povoa e caracteriza o mundo e submundo de Batman. Gotham aqui faz parte do contexto como personagem, apresentando seu perfil doentio é sádico e deixando claro como a cidade influencia na existência do Morcegão e seus vilões pragmáticos.

De inicio já somos envolvidos por questionamentos do Batman sobre Gotham, Deus e ele mesmo e nas páginas seguintes o acompanhamos interrogando o Crocodilo. Waylon “Crocodilo” Jones possui uma doença de pele que o deixa escamoso e horrível, por isso a alcunha que o denomina. O interrogatório é sobre a suspeita dele ter assassinado uma garota (Elizabeth Lupo) encontrada no aterro sanitário da cidade, parcialmente devorada. Batman também quer chegar ao irmão dela (Angel Lupo), que ele acredita ser o mandante do crime.

Em suas investigações, seguindo pistas após pistas, Batman tem a chance de encurralar Angel. Seguindo Margo, a amante de seu suspeito, presencia o momento em que ela será estuprada por um delinquente qualquer e acaba a salvando, sendo descoberto e ocasionando de Margo alertar Angel. Quando o Morcegão tenta ainda alcançar o suspeito, escuta tiros e corre na direção deles, dando de cara com um garoto rodeado pelos pais assassinados à sua frente. Esse fato mexe com o herói, já que sua história pode ser confundida, inicialmente, com a do garoto que agora está orfão.

A história segue como outras que são únicas, dentro do universo das edições especiais. O enredo tenta ser o mais verossímil possível e os personagens são construídos seguindo um contexto mais real e não tanto deslumbrante. Batman por exemplo usa colete a prova de balas por baixo da fantasia, o Crocodilo não é um animal na aparência física e o Pinguim é fisicamente deficiente. Os outros vilões que aparecem são Ventríloco e Scarface com suas contribuições psicológicas conturbadas, uma dupla japonesa: Hiroshima (uma menina pequena, cérebro) e Nagasaki (homem gigante, corpo), que inicia “negócios” em Gotham. E não podemos esquecer de dizer que o Curinga aparece. Rápido, em Arkham, mas há diálogo entre ambos.

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O argumento de Azzarello é, como de costume, excelente. Toda a mitologia, materialismo e psicologia estrutural do herói sem poderes está presente de forma não muito usual, o que é sempre uma excelente forma de trabalhar tudo que muita gente conhece, de maneira diferente. A arte de Eduardo Risso é fantasticamente interessante. Em alguns momentos é bem adulta, ajuda no impacto da ação e em outros é bem caricata. Foi até possível perceber algumas semelhanças leves com “O Cavaleiro Das Trevas” de Frank Miller. Vale muito a pena ter na coleção.

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