Resenha de Quadrinhos – Casanova / Gula
por Gabriel
em 17/05/14

Nota:

Casanova Gula

Casanova / Gula dá sequência à estória contada em Casanova / Luxúria, que já resenhei por aqui. Se no primeiro volume a arte de Gabriel Bá fazia as honras, agora somos brindados com a arte de seu irmão gêmeo, Fábio Moon.

A HQ, originalmente dividida em quatro edições, foi publicada no Brasil em formato de livro, pela Panini Books. O papel é de alta qualidade, dando o devido espaço para a arte de Moon. A colorização, em particular, é um espetáculo. Há sempre um tom dominante, como na imagem da capa: uma cor meio púrpura dando o tom de algumas coisas, outra azulada. Isso confere um aspecto único à obra, um quê de atmosfera espacial que combina com o roteiro. Em outros momentos, o tom é mais acinzentado ou mais escuro para refletir um trecho que acontece no passado.

O roteiro de Casanova / Gula é completamente maluco e em geral confuso. Casanova Quinn é um agente secreto, uma espécie de James Bond que se parece muito com Mick Jagger. Sua participação neste segundo arco é muito restrita, com as atenções voltadas para sua irmã, Zephyr Quinn. Vemos uma batalha entre duas organizações secretas diferentes, enquanto Zephyr atua ao lado dos inimigos de seu pai e Casanova está desaparecido. É fácil descrever a maluquice presente nesta obra com uma frase, a mais proferida por uma personagem alienígena, com quatro braços, vinda do futuro: quando está Casanova Quinn?

O roteiro maluco é compensado pela linguagem utilizada, que facilita a leitura descompromissada. É comum encontrar personagens que explicam situações com “este botão fode a porra toda”. Com o perdão das palavras, é exatamente essa a frase. Estamos falando de uma HQ para adultos, que envolve ação frenética, naves, espaço e um certo clima de descontração.

Se no primeiro volume de Casanova o toque de genialidade foi a utilização do “Deus” criado por Laerte como guia da estória, aqui temos a utilização de nomes de músicas no último capítulo. Funciona assim: enquanto aviões invadem a todo vapor a base de uma organização, o topo da página traz a inscrição “Paper Planes (3:24)”, uma referência a uma música da MIA que fornece ótima trilha sonora para uma invasão cheia de tiros:

E a cada duas ou três páginas, a referência musical muda. Seguimos com The Strokes, David Bowie, Peter Bjorn and John… enfim, uma ótima seleção sempre relacionada ao que acontece na história. Como pudemos ver em Daytripper (que já foi até revisitada) e no primeiro volume de Casanova: se envolve Moon e Bá, sempre há um bom motivo para tirar da estante e ler.

 

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