Resenha de Quadrinhos – Castelo de Areia
por Gabriel
em 05/04/14

Nota:

Castelo de Areia

 

Castelo de Areia é um legítimo representante das histórias em quadrinhos europeias. Com formato de livro, com começo, meio e fim em um volume só, a HQ é toda em preto e branco e tem arte final feita de modo a dar a impressão de que foi produzida diretamente dos rascunhos originais do autor. A edição da Tordesilhas tem acabamento impecável, papel de qualidade e tamanho respeitável, em formato grande. O selo nunca publicou outros quadrinhos, apenas este volume de 2011.

Esta é uma HQ de leitura rápida, por ter diálogos curtos. Sua arte também é bem elaborada e de qualidade, algo que já se pode deduzir pela bela capa. Em suas 100 páginas, o autor disserta sobre uma situação que poderia ser a de qualquer pessoa, ao chegar pela manhã em uma bela praia escondida. Só que não é bem assim que as coisas se desenrolam, já que a morte misteriosa de uma moça altera o cenário.

O roteiro segue uma linha de literatura fantástica suave, com momentos que desafiam a lógica que conhecemos misturados a cenas da vida corriqueira. Os personagens envolvidos, todos humanos comuns e com suas neuroses, preconceitos e vidas, vivem as situações sem fazer a mínima ideia do que acontece (assim como quem lê). Esta forma de descrição dos fatos lembra José Saramago em Ensaio sobre a Cegueira ou As Intermitências da Morte, ao deixar o leitor tão aflito por respostas quanto os personagens.

Castelo de Areia é o tipo de quadrinho que pode muito bem ocupar um espaço na estante de literatura, sem medo. A qualidade do roteiro e das reflexões que ele gera é altíssima, mesmo que o final (ou o desenrolar) da estória não agradem a todos. Os personagens não são perfeitos, não há mocinhos contra vilões e a vida é refletida por todos enquanto os acontecimentos se passam. A quem consegue ver poesia nas coisas, pensar sobre a vida, refletir sobre a existência, esta é uma bela obra que se baseia nas coisas simples, tendo o castelo de areia como a metáfora que mais aparece durante a estória e provocando uma reflexão sobre o tempo e a finitude.

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