Resenha de Quadrinhos – Midnight Nation: Povo da Meia-Noite
por Gabriel
em 04/10/14

Midnight Nation

A Top Cow é um selo ligado à Image Comics. A Image Comics é uma editora de quadrinhos que nunca atingiu o sucesso de Marvel e DC Comics, mas sempre teve um certo espaço com super-heróis completamente musculosos, mulheres em trajes mínimos e aquela combinação básica regada a testosterona que ainda preenche boa parte do universo dos quadrinhos jovens.

Em Midnight Nation este estereótipo cai totalmente por terra. Não há super-heróis (apesar dos protagonistas homens e mulheres serem todos muito bonitos e fortes, claro) e a trama poderia muito bem se encaixar entre os quadrinhos adultos da Vertigo (guardadas as proporções). Aqui somos apresentados a um detetive da polícia que investiga uma série de estranhos crimes e conhece um mundo à parte, paralelo ao nosso: o mundo dos esquecidos pela sociedade, conhecidos como o povo da meia-noite.

O traço de Gary Frank é bem aplicado e caprichado, dando bons contornos à história. Midnight Nation não tem clima sombrio, apesar de sua proposta, optando por ares de ação em boa parte do tempo (e por vezes flertando com o cômico, como em diversas participações dos antagonistas). Seu traço é fluido e conta com arte final moderna e que salta aos olhos.

O roteiro passa por algumas referências bíblicas bem básicas e cria uma mitologia própria, ao descrever a dinâmica do povo da meia-noite e de seu mundo e ao contar a trajetória de herói do detetive, que transita pelos mundos. O dinamismo por vezes deixa o leitor um pouco perdido, mas é fácil “pegar” novamente o fio da história e chegar ao final sem problemas. Publicada no Brasil como uma minissérie em 6 edições, pela Panini Comics, já há alguns anos, Midnight Nation pode ser encontrada com algum garimpo e vale o trabalho. Ao final da edição, existe um texto do autor em que ele fala sobre o que o inspirou a escrever, trazendo um subtexto ainda mais interessante para a obra.

Afinal, a divisa entre a nação da meia-noite e o lugar onde hoje me encontro (redigindo estas linhas numa sala confortável de um lar confortável), é uma linha tênue e efêmera, que pode ser cruzada num instante. – J. Michael Straczynski

Boa leitura!

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