Resenha De Quadrinhos – O Nome Do Jogo
por Ragner
em 09/05/14

Nota:

o_nome_do_jogo_eisnerCasamento: esse é o nome do jogo.

Fatidicamente exposta, a história de algumas famílias é retratada seguindo a condição do casamento como um jogo de interesses e como tudo gira em torno do que é proveitoso e importante para o crescimento de um nome. Will Eisner, o gênio dos quadrinhos, cria magistralmente uma HQ que conta como as desgraças ou graças de alguns, são jogos de cartas marcadas para outros e como pessoas com certo senso de certo e errado, podem mudar de pensamento quanto são envolvidas em um mundo que desconheciam.

Eisner possui um traço particular e lindo e um argumento que fantástico. Suas histórias constroem uma atmosfera que dá gosto de acompanhar. Ilustrações e enredo que chamam a atenção, traços e falas que deixam claro o porque existe um prêmio com seu nome. Temos duas resenhas de quadrinhos de Eisner e espero que encontremos muito mais para ler, pois é, definitivamente, uma HQ que eleva o gosto de ler e admirar cada página.

Em O nome do jogo acompanhamos a história de famílias judias alemãs que estão em busca de um bom casamento, para manter o bom nome familiar, aumentar o prestigio familiar ou conseguir o tão sonhado lugar na alta sociedade. Custe o que custar, sofra quem sofrer.

Somos apresentados à família Arnheim, que se tornou importante na sociedade americana e era proprietária de uma grande fábrica de espartilhos. Sua história é contada desde a imigração para os Estados Unidos e a luta para se manter. Quando Isidore Arnheim já estava com a fábrica bem estabelecida, ele e sua esposa tentam, mas não conseguem resolver os problemas de criação dos dois filhos: Conrad e Alex. Conrad um garoto mimado, agressivo e protegido; Alex tímido, nervoso e deixado de lado.

Em seguida outra família judia alemã é apresentada, os Ober. Chaim Ober possuía um pequeno empório que foi assumido por Abner, seu filho, e esse conseguiu ser bem sucedido e popular, enriquecendo e se tornando um digno membro da alta sociedade da cidade em que vivia. Mas a cidade era pequena, rural. Como gostavam de sair na coluna social do jornal da cidade, Abner, a esposa e a filha Lilli, acabaram fazendo parte do sonho de muitas famílias, pois os pais desejavam muito ter os filhos casados com Lilli, até que os Arnheim a convidam para poder visita-los em Nova York. E como Nova York era o sonho de qualquer família que almejava status social, os Ober deixaram Lilli viajar e começar a sua nova vida.

O prefácio dessa HQ é contada por Abraham Kayn, que só aparece na história muito lá na frente, mas que decide contar a história da sua família, para poder antecipar o quanto ele e sua esposa são gratos ao filho, Aron, por ter conseguido se unir a uma família de classe alta. Como a HQ possui 167 páginas, é bom deixar claro que muita coisa acontece, muitas histórias entre as famílias, muitos acontecimentos que seguem os anos e discutem o conceito familiar entre aqueles que só se interessam por status.

Intrigas, traições, jogo de poder, esposas cegas, esposos embriagados, machismo, de geração em geração vamos seguindo página à página essa obra de arte de Will Eisner, que não era gênio a toa.

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