Resenha de Quadrinhos – Piada Mortal
por Ragner
em 04/04/14

Nota:

piada_mortal_capa

“um dia ruim na vida de um homem é a linha que separa a sanidade da loucura”

Essa semana o morcegão completou 75 anos e decidi resenhar uma das obras master blaster com ele, no Poderoso. Okay que a HQ é mais do Coringa do que dele, mas é quase unanimidade que os dois são uma eficiente demonstração prática do conceito de Yin e Yang. Uma dicotomia escancarada de bem e mal e que discute ferozmente como duas metades combatem a ideia do que acontece quando um corpo irremovível se depara com um imparável. Para mim, os corpos se fundem ou se destroem, mas os criadores dos dois conseguem ir além. Criam histórias viscerais, psicologicamente afetadas e caracteristicamente surpreendentes.

Em A Piada Mortal, somos apresentados a criação do Curinga, o surgimento do personagem que se tornou no maior inimigo do Morcegão, e como os acontecimentos de sua vida foram representando caminhos especificamente destrutivos e geradores de toda sua loucura e insanidade sem parâmetros. A HQ não necessariamente é adulta, mas algumas cenas são mesmo fortes e a argumentação é lotada de conceitos mais pesados. Junto com a cena em que o palhaço do crime deixa Bárbara Gordon aleijada e mostra fotos dela nua para o comissário Gordon, acompanhamos outras em que o maior antagonista do Batman tenta a todo custo provar e comprovar que qualquer pessoa pode se tornar louca após um dia extremamente péssimo.

A Piada Mortal 016 A Piada Mortal 028

 

Essa Graphic Novel começa com o Batman sendo chamado ao Asilo Arkham para uma conversa com o Curinga, conversa essa que poderia salvar ambos de um fim trágico, onde um acabasse matando o outro, mas o palhaço fugiu e deixou outra pessoa se passando por ele. Páginas depois podemos acompanha-lo em um parque de diversões, lugar escolhido para se esconder, o seguimos entre flashes de seu passado, quando era casado e um humorista fracassado. Enquanto no passado ele tenta a todo custo dar certa dignidade à sua família, no presente se mostra cada vez mais doentio e para provar seu ponto sobre a loucura, vai até a casa de Gordon, atira em Bárbara e o espanca. Com mais flashes, temos o humorista sendo influenciado a cometer um crime para conseguir dinheiro e pagar suas dívidas e descobrindo que sua esposa, grávida, morreu. Não tendo mais nada a perder e com os companheiros o forçando a entrar na jogada deles, ele aceita e se passa pelo criminoso conhecido como capuz vermelho, mas tudo dá errado, o Batman aparece e ele acaba caindo em um córrego onde era despejado produtos químicos.

A transformação para o Curinga é extrema e sua personalidade acaba distorcendo toda uma realidade que ele mesmo vivia. Bipolaridade, sociopatia e uma perversidade baseada no caos que transforma seu mundo, mas que acaba incluindo o Batman em alguns momentos. Diversas conversas entre eles focam no quanto estão ligados e que se completam, para o bem ou para o mal.

Mesmo não conseguindo confirmar seu ponto de que um ria ruim na vida de alguém pode transformar tal pessoa (o comissário Gordon não enlouquece depois de tudo), o palhaço do crime ainda acredita piamente no que defende. O confronto final entre ele e o Cavaleiro das trevas é pontuado por momentos em ambos defendem o que acreditam, o Curinga ainda tenta fazer piadas e o morcegão segue sério e contido, até o momento decisivo.

Existem teorias sobre a HQ, sobre as ações do Curinga e sobre o desfecho da história. O Batman teria ou não matado seu alter ego? (um dos levantadores de duvidas como essa, o próprio Alan Moore, discute o que pode ou não ter ocorrido)

Leiam e cheguem a conclusão que acharem melhor.

A Piada Mortal 049

P.S.: Lembram do que eu disse que eles podem se fundir ou se destruir? Leiam The Deal e comentem o que acharam.

PAGINA-01

Postado em: Quadrinhos
Tags: , , , ,

2 Comentários em “Resenha de Quadrinhos – Piada Mortal”


Avatar
Niér em 04.04.2014 às 08:28 Responder

Se eu não estiver enganado, a tal da “teoria” que reza que Coringa é assassinado nos quadrinhos finais saiu da boca do próprio Alan Moore (e ele nem foi citado no texto, como assim?). Mas a dúvida é a cereja do bolo. A Piada Mortal foi o primeiro quadrinho “importante” que comprei, em 1999. E não foi um choque ler uma história com um teor forte desses aos 14 anos. Muito pelo contrário, foi nesse momento que percebi o Toque de Midas por trás da criação da polaridade Batman/Coringa e que tanto o herói como o vilão só tinham a ficar cada vez mais interessantes. Obra-prima, altamente recomendada.

Ragner
Ragner em 04.04.2014 às 11:15 Responder

Verdade meu caro, tal teoria parece mesmo ter sido mesmo veiculada pelo próprio. Editarei aqui creditando isso ao autor, claro. Muito obrigado pela observação. Tal obra prima se caracteriza como o `Cavaleiro das trevas` do Curinga (penso assim) e toda sua essência, assim como a construção da dicotomia entre ambos, se faz extremamente presente aqui.


 

Comentar