Resenha De Quadrinhos – Quilombo Orum Aiê
por Ragner
em 17/09/13

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O povo negro possui uma cultura enriquecedora e tumultuada, com um passado sangrento e lotado de acontecimentos tristes, dramáticos e que para sempre deixarão claro o que há de pior no ser humano. A escravidão é um exemplo monstruoso de como algumas pessoas são capazes de crer na superioridade de raça.

A HQ de hoje é um trabalho bem interessante que apresenta a história de um levante de escravos contrários a uma situação desumana que foram infligidos a viverem. E podemos acompanhar a visão de escravos vivendo condições diferentes. Escravos que possuem emprego e dão altas quantias para o dono e conseguem alguma mixaria; escravos que acabaram de chegar à cidade; escravos de etnias e religiões diferentes; escravos de línguas e dialetos diferentes; escravos urbanos e rurais. Mas ainda escravos, com o ideal de liberdade comum à todos. Estamos em Salvador, no ano de 1835.

O autor conta a história de Capivara (Vinícius), um moleque aprendiz que vive à sombra de escravos mais velhos, para poder ter algum futuro como trabalhador (o trabalho já escolhido pelo “dono”), mas que está sempre questionando sua existência e colocando em cheque a percepção sobre a vida. Após boatos sobre uma revolta entre os escravos se espalhar pela cidade, a guarda começa a revistar a casa de todos os negros libertos e uma ocultava revoltosos preparados para um levante. Com a violência tomando conta, Capivara e amigos fogem de Salvador e ao chegarem em uma barraco vazio, discutem para onde devem ir.

Junto com ele temos Fagundo, o branco foragido Antero, Abul e Sinhana (que depois da fuga inicial ele ainda retorna para buscar). Quando Capivara chega com Sinhana ao barraco, Fugundo já tinha ido embora, com desejo de chegar ao Rio De Janeiro. Os 4 restantes saem em procura do Quilombo comentado e tão desejado por Capivara. O pequeno grupo caminha entre conflitos sobre confiança e discussões filosóficas. Enquanto Abul é quase incomunicável por não conhecer e se comunicar no português, mas se mostra um defensor de Sinhana e ajuda na caça de alimentos, Sinhana defende a ideia de escravidão para poder viver como alguém rico e Vinícius vai debatem questões sobre a vida e filosofia junto com Antero.

O percurso se mostra um pouco perigoso quando um Capitão do mato os encontra e eles tem que lutar pela sobrevivência, mas o maior conflito entre eles se dá quando toda a esperança de encontrar o tão sonhado Quilombo pode cair por terra ao descobrirem que o que procuravam pode estar além do que seria possível.

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André Diniz realiza um trabalho fantástico tanto na arte quanto na argumentação. O enredo é culturalmente excelente no que tange a conceitos que discutem a condição humana, os desejos de cada um e o conhecimento entre pessoas mesmo sem instrução. Os desenhos são bem caricatos, esboçam cada personagem com uma visão rústica que até mesmo parecem estatuetas negras que podemos vislumbrar em qualquer loja de artigos sobre a história africana, alguns rostos se assemelham com máscaras.

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