Resenha de Quadrinhos: Rising Stars – Estrelas Ascendentes (1 e 2)
por Gabriel
em 11/10/14

Nota:

Rising Stars

Mais um título da Top Cow, como o do sábado passado. Rising Stars – Estrelas Ascendentes já é mais próximo do estereótipo que o selo carrega. As capas trazem super-heróis em seus clássicos uniformes colantes e máscaras, com muitos deles fazendo claras referências a personagens famosos de editoras maiores (há um Capitão América, um Batman e um Tocha Humana, por exemplo). Os personagens masculinos são musculosos e grandes e as personagens femininas são sempre de rostos esculpidos e com corpos magros e curvilíneos. Nada de novo até aí.

Porém, Rising Stars é diferente. Não pela concepção e nem mesmo pelo roteiro (que guarda semelhanças até demais com X-Men), mas pela forma como a ideia é desenvolvida. Apesar de ter todos os elementos de um quadrinho de super-herói comum, do roteiro até a arte, a abordagem da HQ tem seus méritos por mostrar um lado humano e “real” dos Especiais, os “mutantes” da obra.

O roteiro traz uma cidade que foi atingida por uma onda de energia de um dia para o outro. Todas as crianças que estavam nas barrigas de suas mães nesse momento foram transformadas e ganharam poderes especiais. Esses poderes incluíam desde coisas como super força ou a possibilidade de voar até habilidades menores. A sociedade, assustada, confinou essas crianças em uma escola própria para isso. A partir desta segregação, o problema começa.

Apesar de ser um X-Men genérico até esse ponto (pessoas com poderes, criadas em uma escola especial por um professor), Rising Stars tem conflitos diferentes. Aqui o preconceito externo era mais contido (não se traduzia em violência e ataques), até porque não há especiais surgindo de todo lugar; eles são 113 e não há possibilidade de que surjam mais. A sociedade parece deixa-los viver, até que começa a irromper uma série de ataques contra eles, perpetrados por… um dos especiais. E é este conflito interno que se alastra, envolve a sociedade inteira e começa a destruir a tranquilidade em que eles viviam.

A arte da HQ não é impressionante. Há bons momentos, mas nada que impressione tanto visualmente; dá pra dizer que não compromete, pelo menos. A colorização é bem feita e as capas são interessantes. Já o roteiro vem muito bem no primeiro arco (publicado em 5 edições no Brasil pela Panini Comics) mas titubeia bastante no segundo (publicado em 4 edições no Brasil pela mesma editora). O primeiro arco se concentra na história dos especiais e em seus conflitos atuais, principalmente vindos do fato de que nenhum deles escolheu aquilo e muitos nunca tiveram vocação para serem heróis ou nada do tipo. É uma obra de conflitos profundos e discussões interessantes. Já o segundo arco mostra a tentativa deles de serem heróis em um mundo muito mais devastado, e aí há algumas distorções da realidade e um ou outro ponto de pura ingenuidade do autor. Mas no geral a obra se sustenta muito bem.

Rising Stars é muito interessante. Em alguns momentos decepciona, mas em geral agrada o leitor. Não há um público claro para a HQ; é pegar e dar uma chance. Boa leitura!

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