Resenha de Quadrinhos – V de vingança
por Patricia
em 04/11/14

Nota:

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Hoje falo de um quadrinho que inspirou um dos melhores filmes que já vi (já falei dele aqui). É um dos meus favoritos por diversos motivos. Além da sensacional atuação de Natalie Portman, o roteiro e a direção fazem com que o filme tenha todas as características de um clássico. Mas, como muitos sabem, o filme é baseado em um quadrinho de enorme sucesso de Alan Moore.

Eu tenho esse quadrinho em casa há um tempo e, não sei porque, mas essas eleições me deram uma vontade enorme de lê-lo e relembrar a história. Cof, cof.

Vamos ao enredo.

Quando pessoas conhecidas começam a morrer, o Governo começa uma investigação que leva a um resultado assustador: há um vigilante dando cabo de todos aqueles que trabalharam no campo de concentração de Larkhill. Quando o Governo auto-intitulado fascista chegou ao poder (sim, as pessoas saíram às ruas com faixas PEDINDO um governo fascista), sua primeira ação foi separar todos aqueles que não condiziam com o que imaginavam que seria a população perfeita: negros, imigrantes, homossexuais e afins foram enviados a campos de concentração onde médicos conduziam experimentos diversos. Qualquer semelhança com Hitler é pura inspiração verdadeira.

Larkhill explodiu, muita gente morreu e o assunto foi abafado. Até o vigilante V começar a jogar luz no que à primeira vista parece algo simples, mas vai revelar algo muito mais perturbador do que um Governo que apenas silencia opositores. V é retratado como um terrorista pelo Governo, mas graças à jovem Evey o leitor consegue ter outra visão. Veja bem, V foi inspirado em um terrorista de verdade – Guy Fawkes – que queria destruir o Parlamento e instalar uma Monarquia Católica na Inglaterra. Isso lá por volta de 1590. No livro, porém, V pretende apenas mostrar aos Ditadores que o poder deveria vir do povo. V pode ser um exemplo de certa forma, mas o homem que o inspirou certamente não é.

V salva Evey de ser estuprada e morta pelos “Dedos” do Governo (chamados assim porque eram responsáveis por apontar culpados de ‘n’ infrações no dia a dia) e ela vai morar com ele por um bom tempo. É aqui que passamos a entender melhor a política de V, suas intenções reais e seus planos para derrubar o medo que o Governo usa a seu favor para manter-se no poder.

Temos alguns flashbacks também com Evey nos contando como era a vida antes da Guerra que assolou meio mundo e catapultou o partido fascista ao poder. A contextualização desse passado é importante. Há enormes semelhanças com a 1a Guerra Mundial e a ascenção de Hitler ao poder – uma causa direta dos estragos feitos na 1a Guerra e que cimentaram o caminho para a 2a.

A primeira coisa que notei é que como acontece com muitas adaptações para o cinema, o quadrinho tem muito mais conteúdo sobre V. Na HQ temos certeza de que foi ele que explodiu Larkhill e até aprendemos como ele conseguiu fazer isso além de mais detalhes sobre sua história pessoal com a Dra. Delia, responsável pela linha de pesquisas nos prisioneiros do campo. No filme, achei que isso ficou mais subentendido. Em uma comparação direta, houve algumas mudanças substanciais, mas o tema que V trata foi mantido com bom tom. A HQ, em alguns momentos, pode até ser um pouco prolixa enquanto o filme, a meu ver, tem um ritmo certeiro.

Essa HQ tem muitas histórias em uma; diversos personagens importantes e alguns que são insuportáveis em mais de um sentido. Apesar disso, é fácil de acompanhar graças a divisão do enredo. A lição sobre poder é clara – falei mais sobre isso na resenha do filme com o link ali em cima). No geral, baita leitura, excelente enredo, belos gráficos e me despertou a vontade de ver o filme de novo. 😀

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