Resenha – Depois A Louca Sou Eu
por Ragner
em 11/04/16

Nota:

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Sou apaixonado por crônicas. Gosto demais de textos curtos que podem muito bem conter informações que entretém o leitor conforme seu gosto e até contexto. Venho tentando me enveredar também por esse caminho e digo que estou adorando contar pequenas histórias que ilustram certos momentos verídicos ou não. Há tempos tenho lido mais de Luis Fernando Veríssimo e já procurava textos da Tati Bernardi. Quando me deparei com esse livro, não tive dúvidas. Já viso que gostei no ato e já quero mais. Algumas crônicas me conquistaram mais, outras menos, mas é um livro que vale a pena.

Tati Bernardi está entre as mulheres que tenho gostado demais de ler. Ela é direta, feminista, engraçada, forte e demonstra um posicionamento social que chama a atenção. Assumo que tenho uma queda por mulheres assim e sua escrita conduz minha imaginação tranquilamente, favorecendo tal opinião em relação a ela. Outras características que percebo nesses textos escritos por ela são: ela tem momentos de hipocondria, uma sexualidade cheia de percalços, boicota a si mesma, analisa demais diversas vezes situações que poderiam ocasionar em um simples sim ou não, debocha de convenções normativas e sua vida é um acúmulo de ocasiões e acontecimentos que fariam muita gente repensar algumas reclamações. E eu achei tudo o máximo. Em relação a saúde passo por situações diferentes (nunca tomei nem rivotril ou outros medicamentos citados), no mais, concordo que a vida transborda de equívocos, enrolação, perdição, altos e baixos, chateação, um pouco de glamour e muita, muita loucura.

As crônicas aqui escritas que me deixaram bem curioso para saber se condizem com a verdade, se há algum grau de veracidade ou em sua maioria tudo é bem ficcional. Aparentemente não, tudo ali me parece mesmo que encaixa com a realidade e podemos entender um pouco sobre o passado e presente da autora. Em vários outros textos em revistas, ela conduz tudo com a mesma intensidade e eu sempre fiquei na dúvida para saber se ela já passou por alguns daqueles problemas e se seus relacionamentos são tão frenéticos e tresloucados daquela maneira. Como pretenso escritor que sou, costumo escrever algumas crônicas que enveredavam por situações que modelavam a verdade entre 8 a 80% do que é ficção ou não, mas no caso aqui, estou crente de que tudo possa ter mesmo muita honestidade.

Em “Depois a louca sou eu”, Tati conversa com suas crises de pânico, manias e lembranças familiares, vício em medicamentos, algumas fobias, lista e mais listas e um pouco de devaneios com pitadas de humor, até mesmo o ‘negro’ e um estilo escrachado e inteligente que deixam mais do que óbvio a veia afiada e sem pudores da escritora. A cada história uma novidade ácida ou mesmo apimentada com requintes de sabor amargo, que deixa a narrativa cativar o leitor e dar aquela vontade de mais livros assim.

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Livro enviado pela editora

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