Resenha – Desonrada
por Gabriel
em 21/02/15

Nota:

DesonradaDesonrada é um relato de uma mulher real, simples, apoiada por uma escritora. A mulher, Mukhtar Mai, conta a história de como sua vida mudou totalmente depois de um estupro coletivo no Paquistão.

Mukhtaran Bibi, como era conhecida a autora quando era mais nova, vivia em um vilarejo do Paquistão com sua família. Sua vida não diferia muito das de outras tantas mulheres pela região. Analfabeta, Mukhtaran havia decorado o Corão e o transmitia oralmente a crianças da vila. E dedicava o restante de seu tempo aos afazeres domésticos.

Um dia, a família solicitou que Mukhtaran comparecesse a uma propriedade vizinha portando um pedido de desculpas da parte de seu irmão mais novo, de 12 anos. O perdão seria solicitado porque seu irmão teria encontrado uma das moças da outra família a sós, o que é um crime pelas leis vigentes no local. O comitê tribal que decide esses assuntos teria pedido que uma moça de respeito pedisse perdão pela família.

Mukhtaran já não era considerada uma mulher pura, por ter se divorciado de seu marido alguns anos antes. Porém, era a única mulher em sua família que poderia levar o pedido de desculpas. Ao chegar na propriedade em companhia de seu pai e seu tio, encontrou os homens da outra família prostrados em frente à casa, armados. A sequência daí pra frente é descrita pelos olhos de alguém que até hoje talvez não compreenda como seres humanos podem agir assim.

O golpe sentido pela autora foi forte como se esperaria ao imaginar a situação vivida. Porém, aos poucos ela foi recobrando suas forças e pensando em obter justiça. E Mukhtaran se levantou e começou a atrair atenção em seu país. No meio do caminho vemos todos os tipos de abusos de autoridade, corrupção institucional e todos os problemas de uma sociedade feita para manter o poder dos homens e a submissão das mulheres. E vemos uma mulher que não tinha as armas necessárias para lutar contra isso, mas prosseguiu apesar de tudo.

A história de como Mukhtaran Bibi se tornou Mukhtar Mai é inspiradora. Triste, aterradora e inspiradora. Porém, a execução deste livro deixa a desejar. Talvez a história devesse ser entregue em mãos mais capazes, de outro escritor ou de documentaristas, para que tivesse mais impacto emocional e chamasse mais atenção. Ainda assim, vale como um relato de uma situação surreal de desrespeito aos direitos humanos básicos; algo que acontece com frequência e para o qual olhamos pouco. Por isso, não deixa de ser recomendado.

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