Resenha – Dias perfeitos
por Ragner
em 17/03/21

Nota:

Raphael Montes já é um escritor consagrado, com roteiro de livro adaptado para série (Bom dia, Verônica) e que figura respeitosamente entre autores do gênero terror e suspense. Nacionalmente possui grande legião de fãs e com pouca idade, tem um futuro absurdamente vasto. O cara merece todo reconhecimento dos amantes desse gênero literário e minha biblioteca tem lugar garantido para seus livros.

Dias perfeitos não tem uma história nova. Na hora lembrei de O colecionador (de John Fowles) e toda narrativa que nos apresenta um psicopata que se vangloria de acreditar estar certo em todas suas ações, motivado pelo sentimento de crer agir com amor e paixão, tentando dominar, condicionar e aprisionar alguém que quer que o ame e se indignar quando se acha incompreendido.

Clarice é uma moça cheia de vida e totalmente livre em questão de sentimentalismo e sem tabus. Já Téo é um estudante de medicina, extremamente solitário que nutre uma paixão desenfreada pela garota que flerta com ele em uma festa (sem maiores pretensões para ela). Téo trabalha examinando corpos e Clarice estuda História da arte, ele não tem amigos e só conversa com Patrícia – a mãe paraplégica – e Gertrudes – uma cadáver. Ela curte sair com amigos e planeja terminar escrever um roteiro sobre uma viajem em busca de aventuras.

Téo passa a perseguir Clarice, descobre onde ela estuda, com quem sai e onde mora, passando a agir com doentia obsessão. Até que um dia ele tenta ajudá-la (na cabeça dele), cria realidades românticas psicóticas e na primeira reação negativa de Clarice, ele mostra sua verdadeira face. Consegue topa-la, sequestra-la e a força a conviver com ele por um bom tempo. Para isso, se passa como namorado dela por lugares que ela costuma ir, mente e inventa narrativas para que familiares pouco questionem e cria situações absurdas para que ela entenda o quanto ele a ama, que precisam ficar juntos e que todas suas ações é para o bem dela.

Montes é um baita autor de enredos que nos envolve e que nos deixam ansiosos para chegarmos ao desfecho e tentar concluir o final de cada história. O suspense psicológico é pesado. A leitura consome nosso imaginário do que poderia e deveria acontecer. Dias perfeitos é mais um livro que li com curiosidade e me fez ter mais vontade de ler mais desse carioca genial.

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