Resenha – Do que a gente fala quando fala de Anne Frank
por Patricia
em 01/12/14

Nota:

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Esse aqui foi um livro que comprei sem saber nada do autor ou sobre o que falava. Por ser da Companhia das Letras costumo dar uma crédito – é uma editora da qual realmente gosto e tem Anne Frank no título. Sim, esses foram os pontos que me fizeram comprar esse livro. Eu não preciso de muito.

Foi apenas lendo que descobri sobre o que este livro singular falava. Primeiro, defini o gênero – é um livro de contos. Rá. Progresso. Mas rapidamente nota-se que não são contos normais e essa singularidade está ligada ao nome de Anne Frank. Nathan Englander é americano com descendência judia e cresceu em uma comunidade judia ortodoxa. Além disso, ele morou em Israel por alguns anos.

Isso nos situa na temática dos contos que Englander divide com o leitor: todos tocam no tema judaísmo de alguma forma.

Não sou uma grande conhecedora da cultura judaica e achei que o livro poderia me ajuda um pouco com isso. Realmente, um dos contos trata diretamente dos assentamentos próximos aos territórios palestinos e como, por um período de 40 anos, as coisas mudaram. Esse foi meu conto preferido. É o segundo e um dos mais longos do livro. Chama-se Colinas Irmãs. Aqui, o autor explora a origem de algumas cidades israelenses: essa, em particular, começou quando duas famílias decidiram morar em duas colinas desocupadas. Rena e Yehudit eram as matriarcas. Rena, porém, estava em uma situação bem ruim: seus três filhos e o marido foram chamados para a guerra. Ao longos dos anos ela perdeu os quatro em momentos diferentes. Yehudit, por outro lado, teve oito filhas e sua casa estava sempre cheia.

À medida que os anos passavam, a população do assentamento aumentava e, logo, o que era um povoado, virou uma cidade com direito a Universidade, campos de futebol, hospital e tudo o mais. É aqui que o destino toma conta e algo que aconteceu há mais de 30 anos volta para assombrar as duas matriarcas da cidade.

Esse conto foi interessante porque fala um pouco sobre as leis judaicas, a maneira como certas coisas são julgadas, alguns detalhes sobre a mudança de costumes e a maneira como a cultura vai se alterando com a mudança de contexto. Ao final, as casas que antes pertenciam aos sobreviventes da guerra, viraram prédios de alta classe com uma vista lindíssima a um campo palestino.

Os demais contos, para mim, foram secos demais. Não há humor em quase nenhum, nem todos possuem um contexto interessante e não me identifiquei muito com a escrita do autor. Alguns contos, por mais curtos que sejam, me deixaram a sensação de ter lido 300 páginas. Parecia que não terminavam nunca.

Gosto muito de contos e acho que são ótimas opções para quando queremos ler algo sem um comprometimento contínuo com um enredo ou personagens. Contos nos permitem ler 15 páginas de algo interessante, divertido e que não pesa muito depois – diferente de romances, clássicos e etc. Eu, por exemplo, gosto muito de pegar um livro de contos depois de ler algo muito difícil, estressante ou complicado demais. Infelizmente, “Do que a gente fala quando fala de Anne Frank”, não me ajudou nesse sentido.

Não só deixei apenas duas doses de café fraco, como também já coloquei o livro para troca. Não rolou.

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