Resenha – Ecce Homo
por Ragner
em 14/06/13

Nota:

Ecce Homo

Wie man wird, was man ist” (como alguém se torna o que é)

Nietzsche foi um “filósofo” diferenciado, já que foi filólogo por formação, e com isso seus escritos seguiam uma tendência um pouco mais apurada e cheia de particularidades que o transforma em um escritor também genial.

Em alguns livros ele discutia o saber filosófico pela sua ótica deveras interessante. Seus pensamentos serviram como divisor de águas, as “marteladas” que distribuía eloquentemente e as amizades balançadas por sua personalidade dinâmica e gênio explosivo, contribuíram para que a filosofia tivesse um referencial eloquente. Nietzsche não era como os demais filósofos. Nenhum é igual à outro, mas esse alemão é visto, por mim, como o melhor de todos.

Em Ecce Homo, Nietzsche escreve sobre si mesmo. Com um prefácio que deixa claro toda a temática do livro, somos apresentados aos sentimentos e conclusões de toda a filosofia nietzschiana:

“Não sou, por exemplo, um espantalho, um monstro moral – sou
antes uma natureza contrária à espécie de homens que, até agora, se
veneraram como virtuosos”

Nietzsche conhecia muito bem a sim mesmo, estava apto a defender toda seu conhecimento e conclusão sobre o mundo e sobre aqueles que “lutava” contra e já começa a deixar, mais do que nunca, claro toda sua obra:

“– Entre os meus escritos, o meu Zaratustra aguenta-se por si. Com
ele, fiz à humanidade a maior dádiva que até agora lhe foi feita. Este
livro, com uma voz que se eleva por cima dos milénios, não é apenas
o maior livro que existe, o genuíno livro da atmosfera das alturas – a
realidade integral do homem encontra-se abaixo dele a uma distância
imensa – é também o mais profundo, nascido da mais íntima riqueza
da verdade, o poço inesgotável a que nenhum alcatruz desce sem vir à
superfície cheio de ouro e de bondade. Aqui, não fala um «profeta»,
um daqueles híbridos horríveis de enfermidade e vontade de poder, que
se chamam fundadores de religiões”

Os capítulos seguintes seguem a seguinte configuração: “Porque sou tão sábio”; “Porque sou tão sagaz”; “Porque escrevo livros tão bons”. E não é egocentrismo ou crença demais no quão excelente ele é. Na verdade ele esclarece sua vida. Fala sobre seus pais, vida, de onde veio e o que passou para chegar a ser o que ele mesmo considerava ser: um sábio.

Sou demasiado curioso, demasiado problemático,
demasiado insolente, para me contentar com uma resposta grosseira.
Deus é uma resposta grosseira, uma indelicadeza para conosco, pensadores – no fundo, é mesmo apenas uma grosseira proibição: não deveis pensar!

Com isso, também, ele explicava sua sagacidade e inconformidade sobre religião, sobre a vida e sobre todas as respostas prontas que “a moral do escravo” deixava convicta no mundo.

“Eu próprio não
sou ainda atual, alguns nascem póstumos. – Tempo virá em que será
necessário ter instituições em que se viva e ensine, como eu acedi a
viver e a ensinar”

E aqui ele se coloca à frente de seu tempo, insinuando que seus escritos são bons, concebendo que é uma honra para aqueles que os leem.

Existe, logo em seguida, referencias aos demais livros mais importantes escritos por ele. Ele mesmo discutindo sobre o que escreveu. Explicando cada defesa e contexto que suas obras expõem. Um revista bem elaborada e que serve como não somente explicatório, mas que eu vejo, também, como algo que pode até ser introdutório para os leitores de primeira viagem. Começar exatamente pelo último livro pode transformar a aventura de ler Nietzsche, em algo muito mais prazeroso e proveitoso.

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4 Comentários em “Resenha – Ecce Homo”


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Debora Viana em 16.10.2013 às 10:47 Responder

Vi muitas opiniões no Skoob sobre o grau de dificuldade ou até mesmo uma possível má interpretação que levou a não gostar do livro. Eu estou lendo, logo não tenho uma opinião formada ainda, mas até então posso dizer que Nietzsche é uma leitura deliciosa, acho que o fato dele ser filólogo tem a ver com isso, e que eu tenho empatia pelo ponto de vista apresentado.
Sem dúvida este livro “é um ar das alturas, um ar forte. É preciso ser feito para ele, senão há o perigo nada pequeno de se resfriar.”

Ragner
Ragner em 16.10.2013 às 17:04 Responder

Não considero esse livro difícil, não mesmo e acabo ainda indicando como um iniciador para leitores de Nietzsche, ainda mais para quem ler, por entender um pouco seus pensamentos e direcionar o entendimento sobre ele. Fico feliz DEMAIS quando vejo pessoas e mais pessoas querendo lê-lo ou conhecê-lo sem ser por modinha. Não sou expert nele, diria que sei modestamente o que precisa para iniciar, mas que ele é, sem dúvida, um dos filósofos que mais me interessa, isso é FATO.

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Gali em 21.11.2014 às 08:53 Responder

Este livro é quase uma autobiografia do já reconhecido filósofo alemão; por ser um dos últimos livros escritos por ele, ficou bem claro os “resumos” de suas obras, uma “releitura” de suas principais ideias e argumentos com um toque crítico da ultima fase de sua literatura.

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Jean Lucas em 02.11.2018 às 20:04 Responder

Acabo de ler este magnífico livro. Tive a oportunidade de ler, outros dois, também citados neste, como sabem “Assim falava Zaratrusta” e “Além do Bem e do Mal”. Quem dera eu ter encontrado essa resenha antes de ler os outros dois e diversos artigos, resenhas e textos relacionado a Nietzsche. De fato, é interessante lê-lo (Ecce Hommo) antes dos outros, creio que a compreensão seria mais abrangente. Quanto aos maus dizentes sobre a compreensão deste filósofo, enxergo-os como preguiçosos que me faz duvidar se de fato são leitores. Por fim, parabenizo ao autor da resenha, doravante sou um seguidor de vocês, quer aqui quer em redes sociais.


 

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