Resenha – Ele está de volta
por Thiago
em 20/08/14

Nota:

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Neste livro, publicado pela editora Intrínseca, o alemão Timur Vermes nos traz uma situação inusitada. Vamos começar aqui direto pela proposta do livro: Hilter não está morto e acorda na Alemanha de 2011 sem saber em que ano está.

Partindo deste ponto a história corre, através de uma figura pitoresca, as pessoas o  percebem como um imitador talentoso que se recusa a sair do personagem. Até que o improvável acontece: o discurso de Hitler torna-se um viral, um vídeo com um número absurdo de visualizações no YouTube, ele ganha o próprio programa de televisão e todos querem ouvi-lo. Tudo isso enquanto tenta convencer as pessoas de que sim, ele é realmente quem diz ser, e, sim, ele quer mesmo dizer o que está dizendo.

A história nos é contada em primeira pessoa, pelo próprio Hitler, o personagem principal desta comédia no mínimo delicada. O autor utiliza este artificio com o intuito de nos fazer ter uma certa empatia pelo narrador, afinal se trata aqui de Hilter, um dos maiores monstros da história da humanidade, um livro sobre ele, contado por ele só é possível na base da comédia, mostrando-o como ridículo.

A forma como a narrativa é construída me lembrou bastante alguns filmes do Woody Allen, principalmente o “República das bananas” ou só “Bananas”, onde Fielding Mellish (Woody Allen), um testador de produtos de uma grande firma, é apaixonado por Nancy (Louise Lasser), uma ativista política. Ele assiste manifestações e tenta provar da sua maneira que é merecedor do amor dela, mas Nancy quer alguém com maior potencial de liderança. Então Fielding vai para San Marcos, uma republiqueta na América Central, e lá se une aos rebeldes e, no final das contas, se torna o presidente do país. Durante uma viagem, Fielding reencontra Nancy novamente e ela se apaixona por ele, agora que é um líder político.

Nas duas obras temos o apelo ao ridículo para tratar de temas sérios, ambos dentro da política. Pouco tempo atrás, antes de ler este livro, ao menos saber de sua existência um aluno me perguntou em sala de aula se Hitler conseguiria construir o nazismo nos nossos dias, bom este livro é de certa forma uma resposta a tal pergunta, mas há mais aqui. O autor não faz apenas uma piada com Hitler e sim uma analise da sociedade “plugada”, composta por aqueles que Michel Serres denomina de “polegarzinhos”, indivíduos que estão o tempo todo conectados a internet e que tem seus polegares ocupados com algum dispositivo eletrônico, seja um computador, smartphone, talbet e outras coisas do tipo.

Assim este livro me leva a seguinte reflexão: será que hoje, na época da zoeira, do efêmero, ou líquido como Bauman gosta de chamar, no momento das redes sociais será que conseguiríamos perceber ideias malucas similares ao nazismo surgir? Será que não estamos ocupados demais nos entretendo e nos esquecemos da esfera política?

Sou sincero, não sei as respostas para as perguntas que fiz. Creio que a reflexão sobre a sociedade feita pelo livro vem em momento bem oportuno, porém não achei o livro tão engraçado assim, talvez porque eu esteja ou seja meio rabugento, ou simplesmente por ter dificuldade de tratar certos temas com piadas. Entretanto isto não torna para mim o livro ruim, ele é muito bem escrito, consegue envolver o leitor e o fazer pensar bastante (pelo menos foi assim comigo).

No mais, boa leitura a todos!!

 

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O livro foi enviado pela editora. 

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