Resenha – Entre as mãos
por Juliana Costa Cunha
em 15/10/20

Nota:

Magdalena é personagem deste livro e ela é artesã. Ela faz tapetes. Entre suas mãos passam vários fios com as quais ela vai tecendo uma trama e fiando tapetes, que vende na feira todo sábado.

Em determinado momento da vida Magdalena sofre um grave acidente e precisa se refazer. Precisa pegar sua vida entre as mãos e tramar um novo sentido para ela. Desconstruir algumas tramas, entender outras e fiar um novo caminho.

Entre as mãos é livro de estréia da autora Juliana Leite. Livro que já chegou ganhando dois prêmios em 2018 – o Prêmio Sesc e o APCA. Lendo o livro é fácil entender o motivo deste lançamento tão premiado. Juliana escreve com capricho, faz da sua narrativa uma costura entre presente e passado. Entre vozes que narram e as que participam da história. Faz uma aposta na construção de personagens que vão te dando pistas ao longo das páginas, mas que não amarram nada ao final da história.

O livro é divido em três partes – Trama, Avesso e Linhas Soltas. E nessas três partes seguimos por sobreposição de cenas e vozes. Um polifonia narrativa que não subestima quem lê a obra. Não subestima, mas também não joga com quem lê. Não há aqui um jogo de esconde e mostra. A leitura nos exige concentração, mas mais do que isso, nos exige sentir. Foi só quando deixei de tentar juntas as linhas soltas dessa trama, que ela passou a fazer muito sentido para mim.

Estamos diante de uma história de sobrevivência. De vários recomeços. Contadas por várias pessoas. Uma narrativa que brinca com o que é real e com o imaginário. Com quem detém a razão das coisas. Sobre transmissão oral de histórias passadas. E o quanto essas histórias nos compõem e o quanto elas também deixam nossas histórias soltas, para que possamos dar amarras a ela. Ou não. E tudo certo.

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