Resenha – Entretenimento inteligente: o cinema de Billy Wilder
por Bruno Lisboa
em 03/07/15

Nota:

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“Vejo-me como proeminente representante de 10 mil colegas da indústria que são da opinião de que em todo mundo não há ninguém melhor do que você”. Assim Steven Spielberg definiu pontualmente o que Billy Wilder representa para grande parte dos amantes do cinema.

Tido como um dos maiores diretores de todos os tempos, inclusive para este que vos escreve, Wilder é a referência para tudo o que de melhor se pode pensar sobre cinema. Com carreira iniciada nos 30, Wilder roterizou, produziu e dirigiu dezenas de longas (Quanto mais quente melhor, Crespúsculo dos Deuses, Se meu apartamento falasse, Pacto de sangue… a lista é longa) que até hoje seguem na predileção do grande público e da crítica.

Versátil como poucos, o diretor austríaco soube dosar arquétipos da narrativa clássica (imbricando gêneros como o drama e a comédia) com o cinema de conteúdo, conciliando, de maneira revolucionária para a época, entretenimento e instigação direcionadas tanto ao espectador comum quanto ao crítico de arte. Para fazer jus a obra deste grande ícone, a autora Ana Lúcia Andrade lançou em 2004 Entretenimento inteligente: o cinema de Billy WPilder.

Cumprindo com louvor a “difícil” de tarefa de analisar a filmografia do mestre a autora traça um olhar detalhado para como toda a produção do diretor. Partindo da premissa do período em que Wilder roterizou filmes para diretores como Howard Hakws e Ernst Lubitsch, Andrade pontua como a influência e o trabalho ao lado de outros diretores (a quem o próprio categoriza como seus mestres) contribuíram para que o próprio construísse sua identidade e marca tão invejada.

Dotada de uma escrita apaixonada, a autora perfila ao longo de 232 páginas elogios estrondosos a todos os seus filmes, inclusive aqueles que por vezes são considerados pela maioria como “menores”. Um dos trechos de maior destaque nesta seara é analise do controverso A montanha dos sete abutres. A crítica feroz deferida pelo diretor ao jornalismo sensacionalista foi execrada na época pelo público  e a crítica americanas na época de seu lançamento devido ao conteúdo “subversivo” e “antinacionalista” do longa. Porém, mesmo com tamanha repulsa injustificada o tempo fez com o mesmo ganhasse ares clássicos e influenciasse toda uma geração de cineastas. Martin Scorsese e Woddy Allen são bons exemplos dos entusiastas deste trabalho.

Infelizmente Wilder faleceu em 2002, mas o trabalho cometido por Ana mantém vivo o seu legado. Sem sombra de dúvida Entretenimento inteligente é o melhor trabalho em solo brasileiro sobre este grande gênio da sétima arte. Obrigatório para iniciantes e iniciados ao cinema do diretor.

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