Resenha – Escreva, Lola, escreva
por Patricia
em 07/01/14

Nota:

Unknown

Conheço a Lola através de seu fantástico blog que leva o mesmo nome do livro. Ela vende o livro através do site e, bônus, autografa com dedicatórias fofas TODOS os livros que vende (uma linda!). O blog é destinado a assuntos pertinentes a mulheres, feminismo e, muitas vezes, ela abre espaço para leitorxs contarem suas próprias histórias.

O livro, no entanto, não fala desses assuntos. Aqui Lola fala sobre cinema: seus filmes preferidos e aqueles não-tão-preferidos-assim. Isso porque, ela nos explica na introdução, seu famoso blog começou quando ela queria escrever sobre cinema com mais liberdade – algo que eu não sabia. Aos poucos, ela percebeu que a beleza de um blog está justamente no fato de que você escreve o que quer, quando quer, sem nenhum editor mexer, mudar ou rejeitar seu texto.

Lola acrescenta tons pessoais em tudo o que escreve, seu blog mesmo tem um viés extremamente pessoal porque ela não se esconde de opinar sobre diversos temas espinhosos e com suas crônicas de cinema as coisas não são diferentes. Ela nos deixa vislumbrar um pouco de suas crenças e, ao mesmo tempo, escreve sobre filmes com irreverência e sem nenhuma formatação padrão. Ela sai falando, como quando sentamos na mesa de bar com alguns amigos e descemos a lenha em certo filme ou exaltamos outro. Não são crônicas técnicas que vão te explicar em 5 páginas as maneiras como a fotografia muda alguma coisa, ou como o ajuste da câmera altera a percepção filosófica do filme mas trazem uma visão pessoal do que se vê na tela. É simples, direto, divertido e funciona.

Como já leio o blog da Lola há algum tempo, não me surpreendi com alguns comentários sobre misoginia, sexismo ou coisas do tipo em uma crônica ou outra. Talvez não seja algo que agrade a todo mundo mas, acredite, você mal sente. Não chega nem aos pés dos posts que ela dedica a esses assuntos de vez em quando (e que recomendo muito) porque não é pregação. É apenas uma observação que, em alguns casos, me fez pensar bem.

Cinema, livros, música e arte exigem um contexto pessoal para a interpretação. Não adianta. É o que cada um entende da arte, do que lê ou ouve que transforma seu significado. Resenhas de livros podem te animar ou não a ler um livro, por exemplo, mas só tem um jeito de saber se você vai gostar mesmo: lendo.

Mesmo assim, se valer de alguma coisa, recomendo a leitura desse livro  para quem quer algo leve, divertido e ainda com uma pitada de polêmica: ela não gostou de Senhor dos Anéis. Eu sei, eu sei….é chocante. Mas em algumas passagens eu ri alto porque ela se supera exatamente quando NÃO gosta de determinado filme. De verdade, aguentem firme até chegarem na crônica sobre Mata-me de prazer. Agradeçam-me depois.

Para apreciar esse livro eu diria que o primeiro passo é deixar a seriedade na porta e lê-lo com a cabeça fria e aberta para o que pode ser uma opinião contrária a sua mas colocada de maneira divertida. Aliás, é uma boa dica para ler qualquer contéudo online. E se você está procurando conteúdo, pode contar com a Lola sempre.

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