Resenha – Escuta, Zé Ninguém!
por Thiago
em 09/12/13

Nota:

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Este livro é pra você, sim pra você mesmo, não me olhe com essa cara de desentendido. Este livro é pro Zé Ninguém que mora no seu peito e que se alimenta da covardia, egoísmo e comodismo diários.

Este livro é um grande desabafo de um homem chamado Whilhem Reich  (1897-1957), psicanalista austríaco, discípulo de Sigmund Freud. Suas pesquisas nos trouxeram avanços na relação do corpo com a mente, como doenças psicossomáticas, a descoberta do orgone e polêmicas teorias sobre o sexo e a sexualidade humana. Um homem incompreendido, a frente do seu tempo, um pensador marginal, foi expulso do partido comunista, extraditado, teve sua obra proibida e queimada em diversos países e terminou seus dias preso, onde morreu.

No livro, escrito em 1945, o termo Zé Ninguém pode ser compreendido como “homem comum”, ou “homem médio”, um homem que por opção não é mais livre, um homem que aceita a opressão e que se lança a pergunta: “Quem sou eu para ter opinião própria, para decidir da minha própria vida e ter o mundo por meu?”

Através dos Zés Ninguém que insistem em nos tomar por morada, perdemos a capacidade de enxergar e de enxergar o que de nós está mais próximo, que, no caso, somos nós mesmos. Reich ao procurar entender esse “homem comum”, esse “homem médio” diz: “… olhando prudentemente em torno, entendi o que te escraviza:” ÉS TU TEU PRÓPRIO NEGREIRO” . (REICH, 1974, p.24). Vale a pena ressaltar que esse homem não é alguém que necessariamente tem um baixo poder aquisitivo. O Zé Ninguém não faz distinções de credo, cor, idade ou classe social. Ele pode ser encontrado em várias localidades. Ele é a opinião pública, ele é o povo, o senso comum, a consciência social.

Este é um livro diferente dentro da obra de Reich, afinal, aqui não são trabalhadas suas tão polêmicas teorias, e sim questões pessoais. Um desentalar de garganta contra um espírito, um modo padrão de comportamento que nos toma como morada e nos cega e deixa nosso pensamento lento, dando abertura aos preconceitos, ao medo, a raiva e a mesquinhez.

Uma sociedade dominada por Zés Ninguéns é perigosa e a história pode sempre nos provar isso, como o nazismo na Alemanha e o neonazismo de hoje, como a abrangente intolerância da bancada evangélica brasileira e os demais conservadores ali presentes, ou simplesmente naquele brasileiro que faz tudo pra ter vantagem, pra dar um “jeitinho” de conseguir o que quer ou o que acha que quer.

Então, faço aqui um convite de leitura e análise para um 2014 (ano de copa do mundo e eleições) lutarmos contra o Zé  Ninguém que deseja nos ter como hospedeiro.

Então escuta Zé Ninguém, escuta esse apelo e seja logo alguém. Opine, chore, grite, corra, viva, sinta.

Assinado:

Zé!

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3 Comentários em “Resenha – Escuta, Zé Ninguém!”


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Gabriela Sá em 06.03.2014 às 10:54 Responder

Muito Bom!

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Rionildo Marques em 27.09.2020 às 08:24 Responder

A luta dos zes ninguém ainda não acabou e este livro continua a ser importante para a luta das massas , De aprender a se defender com inteligência e não através da forca onde nada se consegue ganhar , porque e aí que o poder se encontra mais forte


 

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