Resenha – Eu Sou O Livreiro De Cabul
por Ragner
em 08/11/13

Nota:

Eu Sou o Livreiro de Cabul

Li O Caçador De Pipas com um gosto profundamente cultural e interesse dramático sobre a vida afegã. Na mesma época foi lançado outro livro sobre o Afeganistão, mas ainda não li. O Livreiro De Cabul pode acrescentar mais conhecimento sobre esse povo marcado por guerras e batalhas diárias, porem parece que o que foi escrito pela jornalista norueguesa Åsne Seierstad deixou marcas nada agradáveis em seu pretenso protagonista, já que o tal livreiro, escreveu uma história que tem a intenção de contradizer o que a jornalista publicou. Shah Muhammad Rais se mostra insultado pelas palavras de Seierstad e, confesso, eu não sabia disso até começar a ler esse livro.

Particularmente não gostei a priori de como ele conduzia seu relato contrário ao que foi detalhado sobre sua vida e o que poderia ser um livro autobiográfico recheado de depoimento verídico, começa quase como um conto de fadas, com trolls e ressentimento. O autor se utiliza de um folclore norueguês para contar sua história. Nos apresenta um casal de trolls que há séculos é responsável pela região em que vive e que são criaturas capazes de auxiliar os homens, desvendar e esclarecer a verdade de qualquer fato, mas que não pode interferir no destino. Mesmo não agradando com essa abordagem inicialmente, segui com a leitura, pois ainda quero ler o relato da norueguesa e, com isso, conhecer o outro lado da história também.

Shah conhece o casal em uma noite de pesadelos em Karachi (Paquistão), onde tinha algumas reuniões marcadas e promessas de negócios em aberto. Depois de um primeiro encontro meio que espantado, o livreiro passa a confiar nas criaturas mágicas e começa a contar sobre como sua vida e a vida de seus familiares é completamente diferente do que foi descrito no livro, que quase os destruiu, com calúnias e inverdades. Vai contando aos trolls como os fatos relatados eram equivocados.

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Noite após noite, detalhava sua vida em família, seus costumes e batalhas diárias afegãs para o casal encantado. Como tinha sido retratado “de maneira implacável como um homem medonho, egocêntrico extremamente ambicioso” e que não deixava os filhos estudarem, forçando até um trabalho infantil, quase escravo, foi chamado de “Sultão Khan”, uma referencia pejorativa a um indicativo de nobreza (Sultão) e algo remetente ou para o imperador Gengis Khan ou a Cabul Khan, um antigo governador que se impunha mais pela força do que por qualquer outra forma (Khan significa senhor).

No livro, com o passar das páginas e do desabafo sem esconder descontentamento, Shah se apropria de seres ditos como honrados e buscadores da verdade (é como os trolls aqui são apresentados) e escancara seu desapontamento em relação à Åsne Seierstad, que passou meses em sua casa e depois, aparentemente, deturpou tudo o que pode aprender com ele e seus familiares. Com essa história, fica a dúvida, melhor, a curiosidade de saber quem expôs a verdade, mas também uma certeza, certeza essa que eu já tinha. Tudo possui duas vertentes ou opiniões ou versões e devemos estar a disposição de ouvi-las, lê-las e entende-las, pois só assim aprenderemos mais sobre os outros e nós mesmos.

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