Resenha – Eu, você e a garota que vai morrer
por Patricia
em 19/01/16

Nota:

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Eu sabia pouca coisa sobre “Eu, você e a garota que vai morrer” além de ter gostado da capa. O enredo, porém, é simples: Greg Gaines é amigo de Earl Jackson – ambos são bem esquisitos e gostam de filmes obscuros que quase ninguém conhece; e além de passarem um bom tempo assistindo a esses filmes, eles também tentam criar versões próprias dos mesmos – gerados obras primas/toscas caseiras, digamos. Greg conhecia Rachel que agora está com câncer e sua mãe o força a visitá-la e eles tornam-se amigos de novo. Em essência, não temos muito mais do que isso.

Se você é um leitor de YA, já sabe o que foi o fenômeno A culpa é das estrela, imagino. Escrito por John Green, a obra vendeu feito água no deserto no calor desse verão, o filme foi um sucesso, todo mundo chorou e tudo o mais. Foi um livro que marcou o tema “câncer e adolescentes” pela maneira como foi apresentado. Quer dizer, quem poderia adivinhar que adolescentes tinham sentimentos? Óbvio que o livro chocou uma grande parte da população de adultos, principalmente.

Em “Eu, você e a garota que vai morrer”, o câncer de Rachel é, tal como em ACEDE (como os fãs carinhosamente chama o livro), o tema que vai conduzir o enredo sem tomar conta necessariamente. Greg narra a história de maneira irreverente – às vezes até demais. A linguagem chula que Greg utiliza lembra muito a linguagem de Holden Caulfield em “O apanhador no campo de centeio”, o clássico de J. D. Salinger. Mas há uma grande diferença entre ser pioneiro e se inspirar no que já existe. Enquanto Salinger criou um protagonista reclamão e pessimista que acabou por definir toda uma geração, Greg, muitas vezes, parece forçado.

Portanto, em duas comparações óbvias para o livro de Jesse Andrews perde. Porém, há momentos realmente bons no livro – alguns engraçados, outros tocantes – apesar de previsíveis. Nada na história é realmente surpreendente (algo que também podemos dizer de O apanhador, sejamos sinceros).

Quando li o clássico de Salinger há alguns bons anos – e aí vão mais de 10 – eu não gostei do livro. Holden me lembrava aquela cara chato do colégio que sempre quis ser o “machão” e, como a mãe não o deixava usar drogas, ele falava palavrão adoidado e dizia coisas como “eu não como alface, só carne vermelha crua sangrenta”. Portanto, não morri de amores por Holden e, por mais que Greg seja até mais simpático, também o achei exagerado em outros momentos.

E não pense que isso tem a ver com idade. Desde a época do colégio o “bad boy machão” sempre me passou a imagem de ser entediante. Tentar demais nem sempre se traduz em sucesso. Portanto, se eu tivesse lido esse livro aos 14 anos, como foi com O apanhador, acredito que eu teria tido a mesma reação.

A obra segue uma estrutura linear, narrada totalmente por Greg que altera narração, conversa direta com o leitor e trechos que imitam roteiros de filmes. Essa estrutura é boa porque quebra um pouco o padrão e dá um novo fôlego para terminar um capítulo que poderia parecer muito mais tedioso.

No geral, um esforço válido mas mais do mesmo.

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