Resenha – Funny Girl
por Bruno Lisboa
em 01/09/15

Nota:

funnygirl

 

Maturidade. Se fosse possível resumir em uma palavra o que Funny Girl representa na carreira de Nick Hornby a descrição precisa seria essa. Com carreira iniciada de modo semi-autobiográfico em Febre de bola (livro em que disseca o amor pelo futebol e pelo clube inglês Arsenal) Hornby foi a livro a livro criando o seu próprio estilo de escrita e em seu mais novo rebento alcança o marco máximo da mesma.

Lançado em 2014 no exterior, o livro chegou por aqui este ano via Companhia das Letras, editora que recentemente adquiriu os direitos de outras obras do autor como Alta Fidelidade, o citado Febre de bola mais Uma longa queda. 

Transitando entre o real e a ficção, no cerne da narrativa ambientada na década de 60 temos a jovem e ambiciosa Barbara que decide abandonar a pacata cidade de Blackpool para arriscar a vida em Londres. Seu objetivo é ser atriz e comediante tal como Lucille Ball, protagonista da série televisiva I love Lucy. Após breve experiência no comércio, Barbara (agora Sophie Straw, seu nome artístico)  encontra a sua grande oportunidade ao ser convidada para um teste para uma nova série de tv cômica, cujo enredo gira entorno de um casal antagônico.

Diferente de obras anteriores, cujos enredos eram centrados em poucos personagens, em Funny Girl Hornby cria uma trama ainda mais elaborada com  subtramas (tal como em Uma loga queda) que dão espaço não só para Barbara, mas também para todo o elenco da série formado por Dennis (diretor), Clive (seu par em cena na série Barbara (e Jim)), Tony e Bill (roteiristas).

Em paralelo a tramas e os dilemas pessoais, Hornby cede espaço ao longo do livro para discutir os caminhos adotados pela TV britânica. Na época o universo televisivo perpassava por um período de grandes mudanças na programação, pois a indústria do entretenimento começava a ganhar corpo.

Em passagem memorável de Funny Girl Dennis é convidado para participar de um programa de crítica cujo apresentador odeia a cultura de massa. Ao longo dos diálogos o diretor convence o seu adversário de que estava errado justificando ao dizer que uma nova Inglaterra, mais ligada ao público jovem, estava por nascer e era preciso estar atento também as necessidades do espectador comum.

Como é habitual de sua escrita Hornby utiliza de elementos factuais da cultura pop para contextualizar ainda mais a narrativa. Menções a programas como I love Lucy (série televisiva americana lançada na década de 50), à Jimmy Page (na época um músico iniciante de estúdio, pré – Led Zeppelin), o impacto de fase adulta do Beatles para o mundo das artes são alguns dos artifícios usados pelo autor de maneira pontual.            

De fato, a experiência adquirida no cinema como roteirista fez muito bem ao autor inglês que fez de Funny Girl uma grande e elaborada epopeia, em ode não só a chamada “era de ouro” da televisão inglesa como também paga tributo a época em que a indústria do entretenimento tinha uma abordagem mais leve, sem se render ao sexismo e a violência tão onipresentes hoje na redes televisas.

Livro enviado pela editora

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